Fotos por Daniel Pelissier
Assistentes de fotografia Sean Orena e Marilis Cardinal
Jaquetas cortesia de X20 Rio www.x20.com
Punks crust, em geral, são uns merdas, além de serem chatos pra caralho. Isso não quer dizer que a gente não tenha amigos ou mesmo tendências crust. A gente tem. E gostamos de vários sons crust. Mas isso é exceção. A maioria dos punks crust convictos é só resíduo de carne.
Mas adoramos o visual deles! E isso faz a gente pensar num propósito para eles. E se a gente pudesse caçar punks crust como mamíferos exóticos para arrancarmos suas peles? E se isso fosse legalizado? Podíamos isolar alguns quarteirões de uma área urbana deteriorada em uma cidade industrial abandonada, soltar um monte de analfabetos de 17 anos que fugiram de casa usando camisetas do Discharge e uns sem-teto de 38 anos “escolados nas ruas” cobertos de logotipos do Nuclear Assault, dar uma boa vantagem e depois sair atrás deles com arcos e flechas. Não ia ser legal?
Daí poderíamos nos sentar em nossas salas de estar com suas peles emolduradas e penduradas na parede ao lado de cabeças de alce e ursos empalhados. O que você tá dizendo? É ilegal matar seres humanos? Ainda? Até punks crust? Merda.
Então tá, talvez isso seja o mais próximo que podemos chegar disso por enquanto. Tem uma loja em Montreal que conseguiu juntar uma coleção bem impressionante de jaquetas punk. Vamos fotografá-las e levar o Steve, nosso amigo crust, para avaliar cada uma das peças (a gente vai deixar ele viver já que está servindo para alguma coisa). Steve está na cena desde sempre (ele tocou em bandas como C.C.S.S., Wisigoth e Inepsy), e foi um dos primeiros punks que vendeu uma jaqueta pro acervo da loja.
O que mais… Ah sim, uma vez a polícia de Montreal levou o Steve até um beco e o chicoteou com sua própria jaqueta porque queriam provar que os rebites faziam dela uma “arma perigosa”. Não é demais?
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“No começo da década de 90 tinha uma onda que você pintava suas mangas e isso tinha significados diferentes, como o velho código de cadarços de coturno. Mangas vermelhas significavam anarquia. Esqueci o que as mangas verdes queriam dizer. No braço dessa jaqueta tem um patch do Banlieue Rouge. Eles eram uma banda punk de Quebec que fingia soar como francês da França. Eu sou francófono, e até eu odeio música punk em francês. Soa gay. Mas a jaqueta é legal porque parece algo que um street punk usou durante muito tempo. Esse cara não era um filhinho de papai.”
“Ah! Essa jaqueta era do meu amigo. Ele morava comigo dois anos atrás. Eu tava junto quando ele fez aquele ‘Destruction’ no braço direito. O logo do Crude SS tá bem desbotado, mas ainda está ali. É, ele caiu nas drogas e precisava de dinheiro então vendeu a jaqueta. Era um cara legal; se empenhou nisso. Provavelmente não pagaram quase nada. Ele ainda se arrepende de ter vendido.”
“Cara, eu odeio aerógrafo em jaquetas de couro, prefiro desenho feito à mão. O que é isso? Beherit? Eu nem sei o que é isso. Até onde eu sei podia ser uma editora. Esse cara com certeza é um nerd e meio confuso das ideias. Quer dizer, dá pra andar por aí com essa merda? Certeza que esse cara tem cabelo comprido. Mas ainda dá pra salvar; você pode pintar tudo de preto e colocar novos rebites.”
“A cena punk em Montreal é bem centrada no uso de drogas. Esse cara provavelmente usava um monte de drogas e ouvia de tudo. Você tem o Nausea—a banda crust de Nova York, politizada de verdade—, daí você tem Sepultura e daí Slayer e Megadeth. O patch do Cradle of Filth fode tudo porque essa é a banda mais estúpida do mundo. Não acho que ele seja poser, só que não tá nem aí.”
“Caralho! Nossa, por onde eu começo? A coisa mais óbvia é o logo do Lagwagon. Essa banda é uma merda. Por que ele zoou a jaqueta com aquilo? Quer dizer, é, todo mundo escuta música de merda, mas você não sai por aí contando pra todo mundo. Screeching Weasel é a mesma coisa. Eu meio que gosto dessas paradas pop-punk, mas nunca colocaria numa jaqueta. E Rancid? Isso não é uma banda punk. É uma banda que arruinou com o punk. Não tô falando de som, já escutei algumas músicas boas deles. Mas eles são uns idiotas, que aparecem na MTV.”
“Agora sim uma jaqueta de verdade. Eu gosto dos rebites, gosto das bandas; Oxymoron, Exploited… ah não… Casualties? Isso zoou tudo. Detesto essa banda. Espero que o vocalista leia isso porque ele sabe que não gosto dele. Gravei um disco contra a banda dele uma vez; a capa era um cara vomitando o logo da banda dele numa lata de lixo. Eles começaram sendo uma banda punk e depois entraram numas de ganhar dinheiro e virarem estrelas do rock. Você tem cinco minas pra arrumarem seu cabelo? Cara, cuida você da merda do seu cabelo.”
“Olha pra essa jaqueta: não é perfeita. Uma porrada de rebites num lado e no outro um logo feio do Dead Kennedys. Quando ele rasgou o ombro, costurou em uma placa de metal. Esse cara é um street chaos punk, fudidamente de verdade. Certeza que ele quer mais é que se foda. Todos os desenhos são feios. Mas é uma jaqueta punk de verdade. Toda vez que ela rasgou, ele consertou. Tem muito amor nela. Tem história, tem vida nela.”
“Esse cara tem bandas demais aí. Minor Threat, SNFU, Conflict, Crass, Black Flag, Dayglo Abortions. Parece que ele tá tentando agradar todo mundo, tipo, ‘Se eu usar isso, talvez os punks não batam em mim, a molecada do hardcore vai gostar de mim e os metaleiros vão me respeitar’. Também odeio o azul, e ainda tem dois tipos diferentes de azul. É nojento. Pelo menos nas costas tem o Subhumans. Ninguém pode falar mal desses caras.”
“De novo, eu odeio o Casualties. Se não tivesse na manga, eu gostaria dessa jaqueta. O red trim é meio feminino. Essa poderia ser uma jaqueta de mulher. Eu mudei pra Montreal no começo da década de 90 pra escapar dos skinheads nazistas que estavam por toda parte em Ottawa. Fiquei cinco anos dormindo em caixas eletrônicos de agências bancárias junto com mendigos que vomitavam e mijavam em si mesmos. Tinham umas minas casca grossa naquela época que usavam jacos irados, saíam na porrada e tudo.” More
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