Discos: Jemapur


Slide

Beta / Ultra-Vybe, Inc.
2013
 

Imagine-se que toda a identidade musical de Jemapur desmoronava num só disco, que a partir daí funcionaria como um diário de alguém a viver nos escombros de si próprio. Não é preciso ir mais longe que o novíssimo Slide para entrar nesse pesadelo claustrofóbico e senti-lo como uma sova cerebral prolongada por 14 rounds. Os mesmo 14 em que Jemapur (Toshiaki Ooi) aproveita para mostrar como a sua noção cacofónica do hip-hop é perfeitamente adaptável à realidade dos produtores que utilizam o computador como um instrumento de agressão (seja a gravar power-electronics à maneira de Whitehouse, breakcore do mais violento ou glitch racha-cabeças).

Ou seja, Jemapur trabalha a sua matéria como se essa fosse um naco de hip-hop mais ou menos monstruoso, que, depois de muito amassado, podia sem problema entrar no catálogo dos anos mais abrasivos da Planet-Mu. É verdade que Slide não fará sangrar as orelhas de ninguém, da mesma maneira que nenhum outro disco de Jemapur fazia dele um terrorista sónico comparável ao muito mais maléfico Merzbow. Mas não duvidemos também de que aqui está um produtor que mói e perfura a audição até onde tiver de ser, para que os seus recursos mais pareçam litros de água-forte a cair sobre a cabeça de alguém. Slide só não é uma surpresa maior, na corrida do noise e do drone, porque já há uns meses tínhamos avisado que valia a pena estar atento a Jemapur. Agora que já temos a confirmação nas mãos, queremos mais. 

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