Discos: Joyful Noise


V/A: A Collection of Songs from our most underrated releases of the past curated with the benefit of hindsight by the gentle people of Joyful Noise
Joyful Noise Records
7/10


Se toda a recente vaga de comércio neo-tradicional pode ser um problema para quem se habituou a comprar uma lata de sardinhas ao preço normal, o mesmo não se aplica no caso dos discos: é excelente ter uma relação de proximidade com quem os vende. Ou seja, o comprador beneficia muito de um atendimento personalizado numa loja de discos que os trata como a especialidade que são e não como carne pendurada no talho.

É esta a filosofia de “boutique” que domina a Joyful Noise Recordings, a label de Indianapolis, que, desde 2003, aposta em lançamentos com características únicas e em quantidades bastante limitadas — aquele tipo de objectos que normalmente alimentam a caguice do colecionador que tem uma das seis cópias existentes. A Joyful Noise dispõe até de um programa VIP que concede aos seus membros regalias tais como um flexi-disc exclusivo por mês (o ano passado houve Lou Barlow, este ano há Melvins), prensagens de teste autografadas e acesso antecipado às próximas vendas. Todo este esquema um bocado exclusivista seria vazio se a Joyful Noise não o preenchesse com algum do melhor rock ruidoso surgido nos Estados Unidos. Basta por exemplo recordar que há uns tempos a label lançou uma trilogia de cassetes de Dinosaur Jr. que entretanto se transformou num colecionável lendário.

No que diz respeito a fazer parte do clube Joyful Noise, alegra-me poder recordar aqui um grande refrão de kuduro: “eu cá sou VIP.” Devo também acrescentar que recebi esta cassete com o meu nome escrito a caneta de acetato. Porreiro. A cassete amarelinha, tal como indica o seu próprio título interminável, reúne canções de alguns dos mais subestimados lançamentos da Joyful Noise. A causa é nobre e os resultados são animadores. Escutamos a cassete e quase parece que estamos a ouvir alguns dos melhores bebés-proveta nascidos de experiências feitas com o DNA dos Polvo, Weezer e Red Kross, o que só pode ser boa coisa.

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