História Velada



POR LIZ ARMSTRONG, FOTOS POR STACEY MARK
ESTILO: JACLYN HODES
Assistente de estilo: Adrienne Goloda. Assistente de fotografia: Chris Grosser 
Cabelo: Teddy Cranford, Bumble and Bumble
Maquiagem: Robert Greene, See Management, produtos Mac Cosmetics. Modelo: Laura da Muse 
Cenografia: Amy Henry, CLM. Assistente de cenografia: Andrew Graham


Em algum momento durante a época em que era aceitável jogar porcos abatidos no córrego atrás da fábrica, o véu nupcial terceirizou seu poder para o vestido de noiva. Hoje em dia, o último leva o crédito pela beleza acanhada da donzela de branco, mas sério, isso é besteira. O véu contém a doutrina secreta dos rituais de casamento, suas origens são tão misteriosas que nem os historiadores mais experientes vislumbram seus primórdios. 

Será o véu uma ligeira variação da liteira, debaixo da qual um casal de noivos do Oriente Médio outrora fez juras de amor eterno, erguida de forma apocalíptica por quatro participantes da festa de casamento? Ou talvez tenha sido inventado pelos expedicionários das Cruzadas, que ao retornarem de terras pagãs eram presenteados com virgens que tinham seus rostos cobertos para esconder suas origens?

Seja como for, o véu gerou muitos rituais que remetem à morte e morta-lhas, o triunvirato feminino do sangue (da menstruação, do desvirginamento e do parto, manifestados na cor vermelha) oculta a tristeza e outros comportamentos ou aparências inadequadas, e previne uma mulher, um canal natural para o pecado, de possessão. 

Vamos levantar um pouco desse mistério a seguir com algumas curiosidades sobre o véu.

Véu de noiva Falls Veil
ntre os berberes no Marrocos, um véu nupcial é mais como um capuz de sadomasoquismo de couro completamente fechado. A noiva é vestida do pescoço para cima como uma condenada `a morte alinhada prestes a ser executada e, junto à cabeça, leva uma atraente fronha vermelha quadrada recheada com um forro fino e comprido. Chamado de aâbroq, esse véu vai até a altura do peito, e, para assegurar que nenhuma pele fique `a mostra da clavícula para cima, a noiva é costurada dentro dele. O véu não deve ser retirado durante os três dias de cerimônia, para proteger seus outrora penetráveis orifícios do rosto de espíritos raivosos antropomórficos que podem possuir ou até matar uma noiva se esses não estão num bom dia. Só funciona (ou não) quando os casais vão para casa fazer você sabe o quê.
Véu de noiva Falls Veil, meias Happy Socks
popularidade do véu desapareceu por vários séculos após a época da tiara romana. As antigas noivas anglo-saxãs preferiam o estilo renascentista, com grinaldas coroando seus cabelos soltos. Antigos cristãos seguravam uma tenda quadrada (uma imitação da chuppah judaica) sobre os noivos enquanto a cerimônia era executada. Durante a Renascença e o Período Elisabetano, muitas donzelas se casaram usando esplêndidas toucas enfeitadas com penduricalhos femininos.
 
Véu da própria stylist, cardigã Rachel Comey, calcinha Calvin Klein
as regiões eslavas da Europa dos anos 1500, noivas recebiam véus adicionais em seu dia especial para distinguir seu novo status, visto que era comum para mulheres usarem véus no dia a dia. Essa “cerimônia coberta” era um ritual de iniciação durante o qual uma mulher mais velha casada retirava o véu da noiva e cortava seus cabelos enquanto ela e suas damas- de-honra cantavam lamentações para os seus cachos (metáfora para iminente perda da virgindade). Geralmente, pressupunha-se que a tristeza era uma simulação, e que as jovens eslavas estavam ansiosas para deitarem-se com seus futuros maridos.



 

Véu de noiva Falls Veil
m Radom, Polônia, era comum as noivas fugirem gritando na hora da tosa e serem arrastadas de volta para, finalmente, se tornarem esposas. Para noivas polonesas, esse era apenas o início do ritual embaraçoso. Depois de uma cerimônia de casamento, as damas-de-honra colocavam véus verme-lhos e tapavam os olhos da noiva com seu véu branco, esfregavam mel em sua boca e jogavam trigo sobre ela enquanto o noivo a escoltava para casa (os gregos também apreciavam véus vermelhos, por ser a cor associada ao hímen—que não é apenas aquela membrana sensual, mas também Himeneu, o Deus do casamento).



Véu de noiva Falls Veil, top de um templo Hare Krishna de Los Angeles
espiral de desonra dos véus continuou, e os eles não foram utilizados nos casamentos brancos do século XVIII. Ao invés deles, noivas ocidentais optaram por chapéus, grinaldas, tiaras, jóias e fitas. Mas então, num mágico dia, avanços tecnológicos em confecção tornaram os véus factíveis novamente. O tule, antes reservado para máquina de renda de 1768, se tornou acessível e barato graças ao novo maquinário. E então veio a Rainha Vitória, que era a primeira monarca moderna a vestir véu. Depois dela, nenhuma noiva que se preze seria vista sem um.



Véu de noiva Falls Veil, top e shorts American Apparel
a igreja cristã de Abissínia, um casal feliz é trancado durante as seis primeiras semanas de seu casamento, durante a qual a recém-casada tem que usar um véu negro sobre seu rosto. O século XIX testemunhou a invenção cristã de um curioso jogo em Lorraine, França, que envolvia o véu. A noiva e outras três amigas eram cobertas com um grande pano branco e suas alturas eram niveladas. Utilizando um galho, o noivo tinha que espetar o corpo que ele achava pertencer a sua futura amada. Se ele espetasse a garota errada, sua punição seria dançar com ela durante toda a noite, e não com a noiva.



Véu e grinalda Falls Veil, calcinha Prada, luvas La Crasia
recorde para o véu mais comprido já utilizado em um casamento—sete metros e meio—, pertenceu, por mais de uma década, à princesa Diana. Mas em 2004, a monstruosa apresentadora de TV norte-americana Star Jones resolveu quebrar essa marca com um véu de oito metros incrustado com cristais. Quem sabe um dia, se ela continuar seguindo o exemplo de Diana, ela não acabe sendo decapitada em um acidente de carro.




 

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