Nome: Rumors
Vibe: Melódico, emoções obscuras
Fundação: Março de 2014
Local: Israel
Próximos lançamentos: Chinese Whispers: Rumors Sampler
Rumors é um nome adequado para um selo em uma era em que a cultura dance music está adquirindo certos atributos da cultura pop – a fofoca onipresente e o crescente interesse público. A nova empreitada de Guy Gerber, a Rumors, já fez alguns lançamentos e muitas festas de sucesso em 2014. Guy conseguiu adentrar primorosamente o reino da cultura pop através de um álbum colaborativo com P. Diddy chamado 11 11. Há anos ele tem sido também uma presença obrigatória no circuito internacional de clubes e festivais. O que poderia vir em seguida para o auto proclamado “rei do desajuste” e “mestre da manipulação”? Recentemente Guy falou com o THUMP sobre a vida em Israel, a influência direta do Luciano em seu álbum My Invisible Romance e, claro, sobre a Rumors.
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THUMP: Por que você decidiu criar a Rumors? O que veio primeiro: a ideia da festa, do selo, ou elas vieram ao mesmo tempo?
Guy: Eu diria que vieram ao mesmo tempo. Depois de fazer o Wisdom of the Glove do ano passado eu percebi o quanto eu gostava de acrescentar cores diferentes às coisas que faço, isso deixa tudo mais divertido. Já que boa parte da música eletrônica não tem letras, eu acho que os nomes e imagens são muito importantes. Mas à medida que falo mais sobre o assunto, eu penso talvez o conceito da festa tenha vindo antes do selo. Apesar de gostar de organizar festas, eu não sou um promoter. Acho que criei esse conceito em que eu nunca preciso me comprometer antecipadamente com quem vai tocar, aí posso apenas seguir no fluxo. Ao mesmo tempo, quando você não tem um lineup definido para a festa, e ela se chama Rumors, qualquer um dos presentes pode se tornar o promoter da festa [de certa forma]. Já que eu tenho sido alvo e assunto de muitos rumores, eu decidir construir todo um tema ligado a isso.
O Wisdom of the Glove influenciou o Rumors de alguma forma? O que há de diferente entre esses eventos?
Ele influenciou o Rumors por mostrar às pessoas o quão esquisitos minha equipe e eu podemos ser. O Wisdom of the Glove realmente nos expôs bastante, então com o Rumors eu não preciso repetir para as pessoas o quão interessante será, ou por que você deve visitar um dos nossos eventos. Você nunca sabe como vai ser, mas sabe que algo irá acontecer – que algo será imprevisível.
Eles são diferentes porque com o Wisdom of the Glove eu tento juntar alguns sons. Eu quase sempre tenho algum tipo de referência indie e alguém que toca techno. Com o Rumors a ideia é mais a de um som que se mantém desde o início da noite até o final. Mas, em tudo o que faço, eu tento criar um conceito que não te deixe comprometido com uma ideia específica.
Você tem uma visão particular sobre a música que você lança no Rumors? Até o momento os lançamentos parecem bem dançantes, mas também melódicos.
Eu faço muitas coisas como produtor musical e viajo bastante, então eu não tenho muito tempo para lidar com um selo – tenho amigos meus me ajudando. Dessa vez foi praticamente eu fazendo as coisas sozinho. Minha ideia é criar um mundo onde todos os detalhes podem ser alterados, mas a vibe ou o conceito permanecem os mesmos. Por agora é melódico, mas enquanto for boa música, que soe diferente e grandiosa o suficiente para ser tocada em casa e também possa agitar um clube, está bom pra mim.
Os meus DJs set vêm mudando a cada vez e eu sempre gosto dos selos que lançam coisas boas consistentemente. Às vezes mais tocáveis, às vezes menos, mas será sempre algo interessante de se ouvir. Esse sempre foi o meu método e eu espero que funcione com o selo. Só estou tentando tornar as coisas o mais fáceis possível pra mim, porque eu tenho trabalhado duro por tantos anos, com mais e mais projetos. A quantidade de sucesso que eu alcanço comparada com a quantidade de preguiça que há dentro de mim é imensa. Tudo tem que funcionar artisticamente e tudo tem que ser explicado verbalmente, e eu acho que com a Rumors eu criei um selo que não está comprometido com um som, mas sim lança músicas que são especiais. De vez em quando elas têm o que sofrer uma mudança.
Você poderia explicar o processo criativo por trás do seu álbum My Invisible Romance?
Ele foi feito logo depois da época em que eu trabalhei em um mini álbum…. logo que eu voltei de uma semana com o Luciano em seu estúdio em Genebra. Ele me apresentou às sequências randômicas de bateria, e eu tentei fazer o mesmo tipo de coisa com as minhas melodias – uma faixa em que harmonia segue evoluindo e evoluindo. Além disso eu estava morando em Ibiza na época e o estúdio foi montado na minha sala. Tinha sempre muitos convidados entrando e saindo, às vezes fazendo churrasco ou vindo da piscina. Eu ficava trabalhando no álbum na sala e as pessoas ouvindo do lado de fora.
A colaboração com o Diddy foi bem controversa, mais você fez. Como você vê a evolução deste gênero musical?
Oscar Wilde dizia “Definir é limitar”, e eu não sei dizer o que exatamente é este gênero musical. Eu diria que este álbum foi pra mim uma celebração da curtição de se fazer música sem tentar ser fiel a um gênero específico.
Como é um dia no estúdio com o Diddy?
Foi ótimo. Nós somos provavelmente uma das duplas mais esquisitas do universo, mas temos muita admiração um pelo outro. Foi muito inspirador trabalhar com alguém que tem uma história tão grandiosa na música e que conquistou tantas coisas na vida, mas ainda está disposto avançar e assumir riscos. Na maior parte do tempo muitas pessoas apareciam [enquanto trabalhávamos] – muitas garotas sentadas nos sofás. Eu tentava conectar todos os sintetizadores possíveis e nós fazíamos longas jam sessions de madrugada, que eram baseadas em experimentação e na tentativa de criar a vibe de uma after party.
O que você faz quando não está tocando ou trabalhando em músicas?
Eu tenho três títulos – sou o rei do desajuste, o mestre da manipulação e o mestre do desaparecimento. Eu alterno entre os três. Às vezes ganho e às vezes perco.
Você parece ser uma pessoa difícil de ser surpreendida. Qual foi a última coisa que te chocou genuinamente?
Recentemente eu fui jantar no Balthazar em Nova Iork. Estava tomando os drinques e eu e minha companhia quando começamos a nos beijar de forma apaixonada, mas definitivamente não exagerada. De repente, de forma chocante, eu senti uma mão em meu ombro e quando virei a cabeça o gerente do restaurante estava me pedindo para parar. Nós dois olhamos pra ele e continuamos nos beijando. Então ele chamou a segurança e pediu que saíssemos do lugar após pagar uma conta de 300 dólares. Eu achei isso muito chocante.
2014 foi um grande ano pra você – o que você mais espera de 2015?
Obviamente não está 100% confirmado, mas há um rumor de que eu possa trabalhar em uma trilha sonora de um filme de Hollywood chamado Criminal. O filme tem Gary Oldman, Tommy Lee Jones, Ryan Gosling e Kevin Costner. Estar envolvido em um projeto como esse era um dos meus sonhos, e parece que nós vamos começar no ano que vem. Outra coisa é que eu estou começando uma nova série de mix CDs na Rumors. Nós vamos lançar a primeira edição com a minha mix e na sequência tenho alguns outros artistas interessantes para lançar também. Além disso eu devo me envolver com uma nova marca de moda. Mas o meu projeto mais excitante para o ano que vem é que eu planejo abrir uma casa de frango em Ibiza. Vai ter uma rotisserie de frango assado em carvão… sabe como é, tipo carvão de lenha.
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Tradução: Stan Molina
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