The Creators Project: Qual foi sua primeira incursão no design industrial?
Li Hui: Aprendi artes plásticas na escola. Gosto de desenhar. Quando estava no colegial fiz o curso de moda. Na faculdade, decidi me especializar em escultura. O processo de aprender arte não estava indo bem naquela época, mas continuava a alimentar o meu sonho.
Por que você mudou de moda para escultura?
Na verdade, no começo, eu estava interessado em moda. Acho que era o jeito como o professor nos dava as aulas. Não ficava interessado no que ele ensinava. Além disso, na sala, de 33 estudantes havia apenas três rapazes. Não ficava confortável com aquela porcentagem. Aliás, era bem difícil conseguir entrar na Faculdade Chinesa de Artes. Levei três anos para conseguir.
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Então, foi mesmo algo para levar como um projeto de vida.
Quando era criança gostava de criar coisas com minhas próprias mãos. E, mesmo depois de crescer, isso mudou radicalmente. Continuo criando coisas com minhas mãos. Acho que o processo todo de fazer esculturas é meu jeito de continuar vivendo meu sonho. Não importa o que vai se expressar, o processo inteiro de criação é o mais importante.
Nesse ponto você tem algum interesse em se aventurar em outros campos que não sejam o da escultura?
Na verdade, não. Continuo tentando aprender mais sobre escultura. Penso em escultura abstrata. Durante a faculdade tentei esculpir de várias maneiras e continuo interessado em escultura. Outra coisa é que mudei meu estilo de desenhar depois que me formei. Desenha com uma técnica acadêmica, agora estou usando um jeito moderno.
A faculdade foi boa para você?
Durante todos os anos de faculdade produzi obras que me deixaram super satisfeitos.
O que você fez depois que se formou?
Tive sorte de entrar na indústria imediatamente. A primeira meta foi ter meu próprio estúdio, e consegui. Realizei várias exposições, fiz um monte de amigos e muitos contatos profissionais dessa maneira.
Conte um pouco sobre seu interesse por carros.
Quando estava modificando um carro pela primeira vez, isso me ajudou a encontrar o que eu queria fazer nos meus trabalhos seguintes. O nome do carro era “Carro-Duplo”. O conceito era que quando você estivesse dirigindo esse carro, as pessoas não pudessem dizer se ele estava indo para frente ou para trás. Descobri que havia algo mais interessante do que a mecânica: a inovação.
Como você encaixou a parte técnica nas suas obras? Você encontrou alguma dificuldade?
Não, de jeito nenhum. Na minha opinião nada é impossível. Muitas pessoas me perguntam como superei problemas técnicos como os que envolvem materiais e física, mas eu simplesmente fui fazendo. Quando me deparava com problemas tentava usar maneiras diferentes de resolvê-los. Se você sabe o que busca, nada vai te deter. Sou movido por essa fé.
Conte-nos um pouco sobre a evolução do seu trabalho.
Mais tarde, quando passei a envolver elementos diferentes de design, tive a oportunidade de trabalhar com materiais diferentes, como o laser. O laser é como uma matéria, mas você não pode tocá-lo. Acho que essa é a razão pela qual ele me atrai. Posso ser inspirado por materiais. A maioria das vezes crio baseado nas minhas inpirações por materiais.
Como você escolhe os materiais?
Acho que sou sensível aos materias. Como os pintores são sensíveis para as cores. São nossos instintos. Mas todo artista tem conceitos diferentes sobre o mesmo material.
Como a tecnologia influencia sua obra? Você considera seu trabalho de alta tecnologia?
Sempre enxergo minha obra como de vanguarda. Evito métodos que as pessoas já usaram. Mas não quero me tornar um artista hi-tech. Uso somente tecnologia que eu mesmo posso criar, e tento fazer meu trabalho parecer futurístico. Essa é minha estética.
Para mais Li Hui acesse The Creators Project.
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