Mark Ronson

The Creators Project: Como você se envolveu com música?
Mark Ronson
: Comecei a tocar em bandas quando eu tinha uns 13 anos. Tocava guitarra e um pouco de saxofone. Naquela época era super ligado em hip-hop. Começamos a convidar uns rappers para o palco e foi um desastre, porque não éramos o The Roots. Éramos só um bando de moleques tocando e um cara rimando. Então, aquilo não estava rolando. Não tinha a ver com a minha paixão por hip-hop e com o que eu queria fazer. Aí comecei a discotecar. Eu não sabia nada de produção na época. Então, comprei umas picapes e comecei a colecionar discos.

Como era a cena de hip-hop naquela época?
O hip-hop estava numa fase ótima. Tinha saído o primeiro disco do Wu-Tang, Biggie e tudo aquilo da Bad Boy. Tinha Blackstreet, o Dre na Costa Oeste. Eu já tocava guitarra há cinco, seis anos e pensei “não preciso disso, pra mim já deu”. Aí comecei a tocar em clubes de Nova York.

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Você ficou conhecido logo de cara?
De repente Puffy, Biggie e Jay-Z começaram a ir me ver ver tocar e pensei “como é que esses caras vieram parar aqui?” O Puffy curtiu o meu som e me levou pelo mundo. Lembro de ter tocado numa festa do DiAngelo com o Mos Def no microfone e foi tipo “caramba, sou DJ por causa dessas pessoas e agora elas estão numa festa em que estou tocando”.

E a cena em Nova York, como era?
Nova York era um caldeirão cultural. Tinha o pessoal do skate, do hip-hop, os traficantes, os atletas, os rappers, as garotas bonitas. Sentia que alguma coisa estava rolando. Lembro do Biggie e Jay-Z com chapéus brancos combinando no aniversário deles. Era muito legal e a música era boa, o que era o mais importante.

Aí a coisa toda decolou?
Acho que fechei meu primeiro trabalho como produtor porque eu estava tocando bastante e todo mundo sabia que as festas em que eu tocava eram boas. Eu fazia uma mistura interessante de hip-hop, soul e um pouco de rock – uns rocks bons, que talvez você não escutasse em clubes.

E então você começou a gravar seus próprios discos?
Gravei meu primeiro disco, Here Comes the Fuzz, que era basicamente eu fazendo as batidas com a participação dos meus artistas preferidos nas faixas. Eu era bem jovem, um pouco ansioso e talvez ambicioso demais. Talvez, na época, eu não tivesse o talento necessário para comunicar totalmente a ideia, mas eu queria, de alguma forma, que o público sentisse que estava num dos sets de três horas que eu fazia, com todos os estilos musicais, mas numa gravação de 45 minutos.

Qual o seu processo para compor?
Acho que uma boa música sempre tem a ver com acordes e melodia. Se você mantém isso, está no caminho certo.

Direto ao ponto.
O negócio é que o que é bom é bom. Sempre vai ter gente querendo consumir música de qualidade, então temos que descobrir um jeito das pessoas terem acesso a ela sem deixar os artistas e músicos passando fome.

Para mais Mark Ronson acesse The Creators Project.

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