Marnoto

O marnoto é o trabalhador que nos meses entre a Primavera e o final do Verão se dedica às salinas, ou marinhas — como se diz na gíria em Aveiro —, na produção de sal. Encher e remexer os tabuleiros com água nova, quebrar e puxar o sal após a cristalização e carregar o sal em canastras pesadas sob a cabeça é o ofício do marnoto, que trabalha de corpo robusto e queimado pelo sol intenso. Às vezes, só de cueca.

Marnoto é também o meu apelido de família, provavelmente porque os meus antepassados terão vivido desta actividade. E, sendo a minha família do lado paterno originária de Ílhavo, o meu contacto com a cultura do mar torna óbvio o meu interesse. O problema é que este trabalho, que existe desde 959 (há provas disso), está agora a desaparecer. Nas últimas décadas a expansão do mercado global e a concorrência do sal industrial deixaram cada vez menos espaço de manobra para a sobrevivência económica do marnoto, que agora se aguenta como uma curiosidade turística.

Thank for your puchase!
You have successfully purchased.