Vigílias ao redor do mundo em homenagem às vítimas do massacre em Orlando

Jacob Gal começou a chorar lembrando como foi acordar na manhã do último domingo (12) com a notícia do tiroteio num clube gay em Orlando, o mais mortal da história americana. Centenas de pessoas passaram por ele no Barbara Hall Park, o centro do distrito LGBT de Toronto, para uma vigília à luz de velas naquela noite, mostrando solidariedade e luto pela morte de 50 pessoas e mais de 50 feridas.

“Isso aconteceu longe daqui, mas afeta todos nós”, disse o organizador da York Pride Fest de Toronto, entre lágrimas. “Isso afeta todos nós aqui.”

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Outras comunidades LGBT pelo mundo também se reuniram depois do ataque de domingo para mostrar seu apoio.

Tiros foram disparados entre as 2 e 5 horas da madrugada de domingo contra a multidão que bebia e dançava no Pulse, um clube noturno popular do centro de Orlando, Flórida. O atirador, Omar Siddiqui Mateen, acabou sendo baleado e morto depois de horas de impasse com a polícia. O pai de Mateen disse a NBC News que seu filho ficou enraivecido ao ver dois homens se beijando em Miami alguns meses atrás.

Segundo notícias, Mateen teria jurado lealdade ao líder do Estado Islâmico numa chamada para o 911 antes do ataque. As autoridades estão tratando o incidente como um ato de terrorismo.

Na noite seguinte ao ataque, dezenas de vigílias improvisadas aconteceram nos EUA, incluindo em Newtown, Connecticut, cena de um tiroteio numa escola infantil em 2012, e no Stonewall Inn, o bar gay de Nova York considerado o local de nascimento do movimento pelos direitos dos gays, onde um protesto pelas vítimas se transformou numa marcha até a Union Square.



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Em Paris, cerca de 100 pessoas — muitas carregando bandeiras de arco-íris ou dos EUA e cartazes dizendo “Orgulho” e “Para Orlando, temos amor” — se reuniram na Praça Igor Stravinsky para acender velas pelos que perderam a vida. Nesta segunda-feira, os londrinos devem sair às ruas do Soho para mostrar seu respeito.

Na página do grupo London Stands with Orlando no Facebook, pessoas eram convidadas a fazer doações para o grupo de direitos LGBT Equality Florida.

Quase 400 pessoas se reuniram em Sydney, Austrália, para uma vigília na noite de segunda, enquanto a Harbor Bridge brilhava com as cores do arco-íris. “Particularmente quando você vai para um lugar como um clube gay, você espera encontrar segurança e apoio”, disse um dos participantes.

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O ataque de Orlando serviu como uma lembrança amarga da discriminação e violência encaradas pelos LGBT nos EUA e no exterior — incluindo os LGBT muçulmanos.

“É perturbador ver como nossa comunidade queer está acostumada a fazer vigílias.” Imagem via.

A vigília de Toronto aconteceu no primeiro Mês do Orgulho Gay da história da cidade, antecipando a Parada Gay em julho, uma das maiores festas LGBT do mundo.

“Alguém me perguntou ‘Por que Orgulho Gay?’”, disse a premier de Ontário Kathleen Wynne, a primeira mulher abertamente gay eleita como premier no Canadá, ao público. “Por causa de Orlando.”

“O que acontece em Orlando acontece com todos nós”, continuou Wynne.

Antes que velas fossem acesas, vários políticos locais e federais e ativistas LGBT muçulmanos falaram com a multidão sobre islamofobia e o que os eventos em Orlando significam para a comunidade. Os organizadores da Parada Gay disseram que vão aumentar a segurança e a presença da polícia nos eventos do mês.

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“A noite passada foi um momento de ódio”, disse um dos organizadores à multidão, antes que outra pessoa lesse os primeiros versos do Corão em árabe. “Hoje, temos que mostrar que isso não vai resultar em ódio e medo.”

Uma vereadora de Toronto, Kristyn Wong-Tam, apresentou sua “noiva queer muçulmana”, Farrah Khan — falando publicamente sobre o noivado delas pela primeira vez. “Quando as pessoas odeiam os queers, elas nos odeiam. Quando as pessoas odeiam os muçulmanos, elas nos odeiam”, acrescentou Wong-Tam. “Nunca nos calaremos nem seremos calados.”

Khan, uma conhecida ativista contra a violência sexual de Toronto, mais tarde disse a VICE News que é mais importante do que nunca que os muçulmanos queer saiam do armário depois dos eventos de Orlando. “Vivemos com medo por muito tempo… Muçulmanos queer existem e vamos ser parte da nossa comunidade”, ela disse. “Precisamos que todo mundo aborde a islamofobia, que [o atirador] não define nossa comunidade.”

Quando quase toda a multidão tinha ido embora, encontrei duas jovens mulheres, Sophie e Kristina, sentadas de mãos dadas na praça. Duas velas estavam acesas sobre a bandeira de arco-íris colocada na frente delas.

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“Estamos aqui por todos os nossos amigos que têm medo de se assumir, porque acham muito perigoso”, disse Sophie. “Todo mundo está preocupado com o que aconteceu, porque isso podia ter acontecido aqui ou em qualquer lugar em qualquer momento. Você nunca sabe.”

“Ter orgulho é ser sincero sobre quem você é. Lutamos tanto para chegar aqui, não podemos nos entregar ao medo, porque isso significaria que perdemos.”

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Tradução: Marina Schnoor

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