Música

Um Guia para os Sambas-Enredo do Carnaval 2015

O Noisey repetiu o enredo. Digo, o Noisey me chamou novamente para a agradável tarefa de escutar e analisar os sambas-enredo dos grupos especiais de São Paulo e Rio de Janeiro. Mesmo fora do período carnavalesco, eu gosto de escutar enredos antigos – ou nem tanto. Ao contrário de outros gêneros musicais, neste os lançamentos ocorrem apenas uma vez por ano. Em 2014 eu expliquei um pouco do processo de escolha de um samba pelas escolas. O que eu posso dizer, em 2015, é que as alas de compositores estiveram pouco inspiradas. Das 26 faixas analisadas, cerca de sete se salvam e talvez uns dois ou três serão lembrados daqui alguns anos. Vamos aos concorrentes em ordem de apresentação na avenida:

SÃO PAULO

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Mancha Verde

Acadêmicos do Tucuruvi
Tom Maior Dragões da Real Rosas de Ouro Águia de Ouro Nenê de Vila Matilde
Unidos de Vila Maria
Gaviões da Fiel

O enredo quilométrico é chamado “No Jogo Enigmático Das Cartas, Desvendem Os Mistérios E Façam Suas Apostas, Pois A Sorte Está Lançada”. Ufa, achei que esse já era o samba. Não é, como diz a letra, “vai ser do baralho”. Só que não.

Mocidade Alegre

Império de Casa Verde Acadêmicos do Tatuapé Vai-Vai X-9 Paulistana

RIO DE JANEIRO

Viradouro

Mangueira

Com um enredo que pode ser considerado trivial, “Mulher”, a verde e rosa apresenta um samba maravilhoso em 2015. Prova de que menos é mais e de que os enredos simples rendem letras ótimas.

Mocidade Independente de Padre Miguel

A Mocidade pergunta em seu enredo “Se o Mundo Fosse Acabar, Me Diz o Que Você Faria Se Só Lhe Restasse Um Dia”. Eu já sei, ficaria bem longe desse samba.

Vila Isabel

A Vila repete a fórmula da Vai Vai em 2011 e homenageia um maestro. Se a escola paulistana falou de João Carlos Martins, a Vila vai de Isaac Karabtchevsky. Ao ouvir o samba, eu achei que o enredo era sobre Villa Lobos. Sente o drama…

Salgueiro

Ano passado o Salgueiro fez um dos sambas mais bonitos de todos os tempos. Neste ano, ao falar de comida mineira, parece que a ala de compositores foi ocupada por algum centro acadêmico universitário. Lamentável.

Grande Rio

A Grande Rio fez a mesma piada infame que a Gaviões ao usar a expressão “é do baralho”. Ou teria sido a escola de SP que copiou? Não importa, os enredos são bem parecidos em todos os aspectos. Inclusive na falta de criatividade.

São Clemente

Para falar de Fernando Pamplona, a São Clemente criou um enredo gigantesco: “A Incrível História do Homem Que só Tinha Medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé de Boi”. Se tivesse terminado na primeira parte, seria um samba ótimo, mas a segunda parte, descritiva, deu um tom de tédio.

Portela

A Portela fala dos “450 anos do Rio de Janeiro, uma Cidade Surreal”. Surreal ficou o resultado, num belo samba que remonta a sambas antigos. Vai levantar a avenida.

Beija-Flor

Mais um enredo que mais parece uma tese: “Um Griô Conta a História: Um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial Caminhemos Sobre a Trilha de Nossa Felicidade”. O refrão gruda no ouvido: “Negro canta, negro clama, liberdade/ sinfonia das marés, saudade / um africano rei que não perdeu a fé / era meu irmão, filho da Guiné”.

União da Ilha

Se samba ganhasse Carnaval, a Ilha já teria ao menos uma dúzia de campeonatos. E mais um ano a escola chega com um samba muito bom em cima de um enredo simples, a beleza. O refrão que começa com “a Ilha chegou” vai incendiar a Sapucapaí. E a letra ainda rende bons momentos como “sou a cara da riqueza / tiro foto de mim mesmo / eu só quero aparecer”. Tá na hora da Ilha tirar uma selfie com o troféu do Carnaval.

Imperatiz Leopoldinense

Unidos da Tijuca
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