
Death Grips
Government Plates
2013

Um vidro estala e estilhaça-se. Segue-se um som agudo, arrastante, monocrónico, que penetra os tímpanos e acompanha um grito paranóico, aflitivo e profético. Arranca um sintetizador electrizante que traspassa os ossos e a agonia prossegue, sempre no escuro. A abertura de Government Plates, o mais recente álbum de Death Grips, desvenda uma esquizofrenia de colete-de-forças à solta numa escabrosa solitária mental.
Stefan Burnett aka MC Ride, o vocalista, continua fiel à sua cena: psicopata (“Pressin down the pillow ’til I can’t hear you breath, for no reason”), violento, frenético e niilista. A diferença é que se fechou em si próprio. Se em No Love Deep Web — primeiro álbum que lançaram na sua própria editora, a Third Worlds — os sintetizadores eram mais claros e o próprio Stefan Burnett puxava a audiência para o seu mundo interior, Government Plates joga-se em ritmo enclausurado e este rapper parece mais fodido que nunca. A cada beat e punch sintético há uma luta demente para se soltar do sistema que o sugou (“Government plates / On location / I’m a corporation / Fuck location”) e dos demónios que lhe correm e de que se solta nas drogas. (“Can’t wait to fuck my brain. All I need to forget is today”). Burnett isolou-se numa batalha interior que o corrompe e expô-la ao mundo.
Os drums abafantes e o teclado experimental dos Death Grips seguem a sua génese natural, embora em Government Plates haja momentos de purgatório: nem o som é tão psicadélico, nem tão clarividente. Mas é um álbum que se mantém sempre em linha com uma escuridão inebriante própria para um hip-hop hardcore.
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Shirlaine Forrest/WireImage -

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Courtesy Ariana Grande
