
Exits
The Black Acre
2014

Ninguém fica de queixo caído ao reparar que, nas barbas de uma Londres demasiado fixada no duelo pós-dubstep entre a Planet Mu e a Hyperdub, possam ir surgindo uns quantos produtores capazes de dar luta, mesmo sem pertencerem a qualquer um dos gangues mais identificáveis da cidade. Uma ameaça pouco reconhecida pode atacar de surra e é assim que o escocês Loops Haunt se tem infiltrado, num jogo de Sopranos, em que quase todo o poder está concentrado em Londres. Neste filme, que evoluiu através de discos (ou faixas) em vez de cenas, Loops Haunt representa uma espécie de Anton Chigurh (o sinistro personagem de Javier Bardem, em Este País Não é Para Velhos): olhamos para os estranhos recursos que traz nas mãos (sintetizadores espatifados e field recordings do além), suspeitamos que não os utilizará para praticar o bem, mas é impossível perceber de antemão como serão aplicados.

Felizmente (ou não), existe um Exits que garante 11 buracos da fechadura por onde podemos espreitar as experiências que Loops Haunt vai ensaiando no laboratório. E, tal como acontece com os ensaios, alguns levam a conclusões e outros ficam-se só mesmo pela tentativa. No primeiro grupo há que considerar “Howl”, como a Marcha da Nova Aurora para uma armada gigante de insectos (baratas ou gafanhotos – escolham o que mais vos enoja), ou a rave distante de “Hex”, enquanto, na divisão de criaturas inacabadas, podemos encontrar “Fissure” ou “Trapdoor”. Sem ser de todo um disco destinado a mudar vidas, Exits coloca o anzol onde quer e consegue deixar a curiosidade pendurada pela boca nos seus momentos mais indiscritíveis.
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