Discos: Preghost


Ghost Story
n5MD

2013


Deve ser por culpa da globalização que tantos países se encontram logo nos primeiros segundos de Ghost Story: o álbum abre com uma passagem de música atmosférica e cerimoniosa, que entretanto vê entrar uma voz feminina com umas nuances árabes e tal. Depois disso, não demoramos muito a imaginar uma panorâmica sobre a cidade de Budapeste, em mais um daqueles filmes de acção em que o papá americano resolve tudo e ainda volta para casa a tempo do churrasco. “Seeker”, a primeira faixa de Ghost Story, tem tudo para sugerir que alguém acabou de desaparecer e que outro alguém está obrigado a ir encontrá-lo.    

Logo aí ficam bem salientes as semelhanças entre Preghost e Burial, que, nas suas malhas, tantas vezes oferece apenas a quantidade mínima de luz, a necessária para que possamos reconhecer e investigar os corpos que se movem na noite da gigante periferia de Londres. Da mesma maneira que a música de Burial espicaça o detective auditivo em cada um, o álbum de estreia de Preghost coloca o mesmo tipo de distância entre nós e quase tudo, e está carregado das vozes trémulas que são características nos temas do produtor britânico que é toda a gente e não é ninguém ao certo.  

Contudo esta nem sequer é a primeira vez que Kosuke Anamizu carrega forte na “inspiração” garantida por determinada instituição musical bastante reconhecível: isto porque o seu disco enquanto Moshimoss já lambia o cu dos Sigur Rós com total descaramento. Ainda assim, Kosuke Anamizu parece não saber fazer discos maus e este Ghost Story é interessante aqui e ali. Se calhar até é ele o Burial.
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