Horizontal / Vertical
Crash Symbols
7/10
É bastante agradável partir à descoberta de um disco e encontrar por detrás dele alguém com quem até gostaríamos de passar um bocado. Naturalmente, os sons adocicados da dream pop sugerem que os seus autores devem ser a melhor companhia para um serão feito de Nintendo e bolachas Oreo. Recorrendo por exemplo ao nome de Victoria Legrand, metade dos Beach House e diva óbvia da pop sonhadora, tudo leva a crer que até nos pudéssemos dar bem a comer bolachas, mas não acredito que chegássemos a ser grandes amigos unidos pela consola. Muito sinceramente, não estou a ver a Victoria Legrand a ter pachorra para as muitas horas de Super Mario Kart ou Super Mario Word. Mais facilmente a imagino a fumar e a dizer-me com cara de má: “Desculpa lá, mas quando é que passas a merda da Forest of Illusion?”.
Nada disso aconteceria na companhia de Anne-Sophie Le Creurer, a jovem parisiense que, no mundo das canções, gosta de ser conhecida por Saintes. Nem sequer guardo memórias muito agradáveis dos franceses, mas há na Anne-Sophie uma característica muito apreciável e que tem tudo a ver com a sua capacidade de fazer canções doces, sem nunca carregar no açúcar ao ponto da receita ficar enjoativa. Horizontal / Vertical, a estreia de Saintes registada em cassete, revela, além disso, uma criadora lo-fi especialmente capaz de juntar a pop feminina de Olympia (Washington) e as novas canções perdidas numa névoa de eco, num só malabarismo de estilos, que nunca parece forçado ou desastroso. Há muita coisa por aqui que nos faz pensar numa versão actualizada de Tickley Feather (figura esquecida da Paw-Tracks), mas também existem várias canções capazes de fugir por completo a essa comparação (“Cette Fille” é pura chanson). Diria que estou feliz por ter encontrado uma nova amiga.
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