Discos: The Samps


Macrochips & Microdips
Alguém que, como Cole MGN, conte no seu currículo com associações a Nite Jewel e Haunted Graffiti, sabe à partida que tem o seu nome estigmatizado por todo o peso dessas duas entidades naquilo a que se tornou conveniente chamar de música hipnagógica (no fundo a revisitação sonâmbula da memória pop). Podia esse estigma levar a que o ex-membro da banda de Ariel Pink ficasse acanhado nos seus projectos mais pessoais, mas a música dos Samps (trio formado com Jason Darrah e Harland Burkhart) evidencia toda a reciclagem e colagem que se esperariam de alguém com o perfil de Cole MGN.

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Alinhada com a natureza dos seus autores,  Macrochips & Microdips  é uma compilação de faixas dispersas, que funciona como visita guiada por uma colecção de discos transformada em sucateira. Há um farol que se aproveita naquele Mercedes e esse farol pode bem ser um sample de Prefab Sprout. Bora arrancar apenas o volante a esta Volkswagen boogie (no seu tempo um LP gigante), que já divertiu muita gente, mas que hoje só serve mesmo para ocupar espaço. E é assim que The Samps sintetizam quase tudo o que é dançável numa enorme nuvem de poeira hipnagógica.  Macrochips & Microdips  não inclui instruções médicas, mas pode ser fumado com umas quantas ganzas até ao ponto do José Figueiras, no ecrã de televisão, se parecer com o Ariel Pink, e isso der a todos uma estúpida vontade de rir.  Se não é possível certificar a existência de ironia nos Samps, é pelo menos seguro dizer que existe por aqui uma boa dose de humor que modera bastante a seriedade conceptual do disco. Não deixa de ser engraçado verificar que, entre “Where Your From” e “Yellowjacket”, existe uma diversidade de entulho musical que, em dois minutos, chega para nos arrastar até ao soft-rock das rádios costeiras e que logo depois nos insere numa qualquer série policial manhosa (pelo meio ainda é possível ouvir uma voz robótica a chamar-nos de “anormal”). Por todos os motivos,  Macrochips & Microdips  representa um vale-tudo semelhante ao dos 10cc ou dos Laid Back (gigantes influências neste campo), em que o mais importante é cumprir o objectivo pop de cada canção. Objectivo cumprido então. 

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