O F.C. CETI é uma equipa peculiar. Os seus jogadores são imigrantes que residem no CETI (Centro de Estância Temporal para Imigrantes) de Melilha. Todos cruzaram a fronteira de forma ilegal, escapando à pobreza, à fome ou à guerra nos seus países de origem. Muitos deles ficam meses, ou até anos, sem poder sair de Melilla – o enclave espanhol (de apenas 13 km2) no continente africano – a viver no Centro, à espera que as autoridades lhes dê ordem de saída para a península, ou que os repatriem à sua terra natal.
A maioria teve que saltar – literalmente – a fronteira de Melilha, esquivando-se às autoridades marroquinas e espanholas e enfrentando a tripla vala rodeada por arame farpado. Outros entraram por mar, num bote salva-vidas minúsculo. E antes de conseguirem cruzar a fronteira passaram meses, ou mesmo anos, no monte Gurungú, em Marrocos, a viver em condições desumanas após uma longa e perigosa viagem desde os seus países de origem.
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O futebol é uma forma de escapar à dura realidade. Tanto para os jogadores – alguns deles profissionais nos seus países e cujo objectivo é chegar às grandes equipas europeias – como para a claque, a mais animada e numerosa da liga melilhense. Camaroneses, senegaleses, malieses, marfinenses, e muitas outras nacionalidades compõe esta equipa. E, mais recentemente, também existe uma equipa feminina.
A táctica vai mudando à medida que entram e saem jogadores do Centro. Manolo, o treinador, fá-lo voluntariamente. Os treinos e os jogos permitem esquecer por momentos o futuro incerto e a as saudades das suas famílias que estão bem longe.
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