Torricelli é igual a paulistano, nunca tem tempo… Sacou? Essa piada ruim é uma técnica criada por Klaus Schneesche para lembrar que a Equação de Torricelli, utilizada para calcular a velocidade de um corpo em aceleração constante sem saber a quantidade de tempo em que este ficou em movimento, não tem, bem, tempo.
“Eu estudo com piadas e associações, meu cérebro funciona por hiperlink, que nem a Wikipedia”, brinca ele, que começou a estudar Física no Brasil e hoje mora na Alemanha, onde pretende continuar a graduação na área. “Eu vi em uma palestra que o aprendizado é um processo emocional movido pelo prazer. Aí eu me toquei: se eu ria das minhas piadinhas ruins, eu ficava feliz, e isso potencializava meu aprendizado”, explica Klaus.
Videos by VICE
Assim como o rapaz, várias pessoas preferem utilizar métodos mais inusitados – ou intensos – na hora de estudar do que sentar numa cadeira, abrir um livro, ler e resolver questões. Conversamos com algumas delas para entender se dá certo.
Autoaula
Nos conteúdos relacionados às áreas de exatas e biológicas, Tatiane Ribeiro não sofria muito enquanto estudava para entrar no curso de Medicina Veterinária, mas na área de humanas era difícil. “História sempre foi meu fraco. Eu adorava as aulas, e os professores de História sempre foram meus preferidos, mas no dia seguinte já tinha esquecido tudo”, conta a veterinária. A solução? Dar aulas para si mesma: “Eu fazia resumos, lia e depois fingia que estava explicando para alguém, como se eu estivesse dando uma aula sobre aquele tema, isso me ajudava a fixar a matéria. Fazia isso umas duas ou três vezes por semana, por duas horas. Coisa de gente louca, né?”
Cursinho virou casa

Tem gente que passa o dia no cursinho. Sérgio Moura decidiu morar de vez em um. Hoje no começo do curso de Engenharia Elétrica, Sérgio chamou de casa durante um ano o alojamento da escola onde estudava – na mesma cidade em que vivia sua mãe. “Não tem qualidade de vida, mas aprende muito mais. Estudar sozinho em algum momento desanima, você dá um migué que vai beber água e para um tempão. Num ambiente cheio de moleque concentrado, por outro lado, é propício. Nunca sobra nenhuma dúvida, tira na hora com alguém”, conta ele.
Dormir para quê
Em três anos de cursinho para Medicina, Caio Ayrao já testou algumas técnicas diferentes para conseguir aumentar seu tempo de estudo. Uma delas, chamada de sono polifásico, é um padrão de sono diferente: quatro horas ao todo por dia, mas fracionadas. “Reza a lenda que o Leonardo da Vinci dormia só 90 minutos por dia, então resolvi tentar. Eu dormia uma hora a cada seis, aguentei três dias fazendo isso. No último, levei um efeito rebote e tive que passar três dias na cama. Conclusão: o que eu ganhei de tempo, eu perdi tudo e até mais um pouco. Método frustrado”, diz.
Associação absurda

A arquiteta Andressa Bassani aprendeu na adolescência o que fazer quando tinha dificuldade para memorizar vocabulário de línguas estrangeiras: criar associações sem pé nem cabeça da palavra com uma cena estranha que lembrasse a sua pronúncia em português. “Foi uma professora de inglês que ensinou. Ela disse que sempre esquecia como era baú em inglês, que é chest. Então ela criou esse método de associação absurda e pensava em um baú cheio de chester. Pronto, não esquece mais”, conta Andressa.
Massagem relaxante
A história de Nathália Siqueira é diferente porque, para entrar na faculdade, ela precisou aprender a não estudar. “Eu fiz seis anos de cursinho para Medicina e desde o terceiro ano do colégio eu estava bitolada, vivia em função do vestibular. Quando não passei no quinto ano de cursinho, eu surtei”, diz ela, que conta que sofria ao ver todos os colegas terminando faculdades e começando a construir uma vida enquanto ela sequer havia ingressado no curso. “Então comecei a sair mais, fazer acupuntura e massagem relaxante, primeiro uma vez por mês e, depois, semanalmente quando a prova se aproximava. Quando eu parei de viver em função do vestibular, consegui relaxar e passar.”