6M
eniumic
8/10
Sabemos que as sagas de terror normalmente descambam quando o argumento de um novo filme remete para fórmulas tão parvas como o reality show ou aquele futuro distante pouco ou nada credível. Quando o Freddy Krueger surge a falar num ecrã gigante, através de um intercomunicador, todo o respeito acumulado pelos capítulos anteriores vai pelo cano abaixo e ficamos obrigados a encarar O Pesadelo em Elm Street XXII como uma paródia, e não como um objecto capaz de mexer com os receios das pessoas.
Isto serve para explicar que o terror deixa de sê-lo a partir do momento em que está demasiado exposto e banalizado. Além disso, o terror mais eficaz envolve a constante sensação de incógnita em relação ao que vai acontecer de seguida. Sobre o disco em mãos sabemos muito pouco: 6M é o título, Arms é o autor e é o primeiro lançamento da eniumic. A edição do mesmo surge num formato especial de seis painéis em cartão, com algumas imagens distorcidas do que parece ser a superfície da lua ou outro território pouco reconhecível. 6M nada indica sobre o verdadeiro nome do autor, os instrumentos utilizados ou a quem agradece a sua existência.
E toda esta sufocante escassez de informação é quase um aviso para que a Ripley em cada um de nós não vá abrir o bicho à bruta e levar com uns esguichos de ácido na cara. Restam-nos poucas dúvidas: 6M é, ao mesmo tempo, um disco alienígena, um teste aos nervos e tudo aquilo que não recomendaríamos a um astronauta em período de repouso pós-traumático. Descrevê-lo para além do que já foi dito era anular a sua mais poderosa qualidade: a capacidade que tem de surpreender como o verdadeiro terror. Se dissermos que aqui está um disco de techno para gente paranóica, isso seria apenas o princípio.
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