
Jess & Crabbe’s Bezzerk Present Changa Tuki Classics
Mental Groove
2013
Talvez seja por culpa da globalização e do Diplo, que praticamente todos os países à face da terra se encontrem, nesta altura, representados numa compilação que sumariza a música de dança que se escuta nas ruas do território visado. Ainda assim, os resultados provenientes desses levantamentos geográficos são logicamente desequilibrados, porque é bem provável que nada de muito interessante se passe nas micro-cenas de San Marino ou do Vaticano (embora neste último território fizesse todo o sentido haver uma discoteca chamada Fumo Branco). Muitas vezes o que acontece é o valor exótico da compilação ser bem mais importante que a sua qualidade musical e, se o Diplo acha que a cena do Guatemala está a bombar, então é porque deve ser bom.
Também não será novidade para ninguém o facto da internet (o principal instrumento da globalização) ter ajudado à aproximação da música que se escuta em diferentes países — o que só faz com que o roteiro auditivo das ruas de um país da América do Sul corra o risco de ser bastante semelhante ao de outro localizado no extremo oposto desse continente. Changa Tuki, nova selecção a cargo da dupla francesa Bezzerk, chega-nos da imprevisível Mental Groove com a garantia de ser uma vigorosa amostra do underground electrónico da Venezuela. Poderíamos até acreditar que seria esse o motivo pelo qual Changa Tuki é um disco divertidíssimo, mas o enquadramento territorial da compilação não é sequer muito relevante ou especialmente reconhecível.
E assim acontece também porque, logo na segunda faixa de Changa Tuki, “Brasileña”, de El Mago (Pablo Aimar?), esbarramos numa malha que deve muito mais ao baile funk dos bairros brasileiros do que a qualquer cidade da Venezuela. Outros momentos há que recuperam alguma da lascívia do reggaeton (“Metelo Sacalo” é pura ordinarice nas mãos de DJ Yirvin) e não se admirem também se escutarem um pouco de Buraka Som Sistema no meio de tantos sons digitais, que batem às portas dos ouvidos como um cobrador de guito do GTA. A marca mais venezuelana de Changa Tuki deve ser a voz super-grave (e hilariante) que vai surgindo nos interlúdios para beefar os rivais e os espertalhões que passam a vida a dizer mal. Tudo o resto são granadas do mundo prontas para estoirar quando o gin subir à cabeça e houver muita gente a jogar pela linha com o dedo a apertar a narina.
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