Discos: Hakobune


Nebulous Sequences

VoxxoV Records
7/10
 

Perante a obrigação de escrever sobre um disco-duplo feito de drones, o primeiro instinto que me ocorre é o de carregar na poesia e descrever alguns fenómenos da natureza como se estivesse a preencher as páginas de um livro. O próprio título Nebulous Sequences é propício a que parta em busca do meu lado mais romântico (onde estás Edgar Allan Poe?) para que vocês fiquem a conhecer as imagens que me foram sugeridas pela música do japonês Hakobune. De facto, os drones esquecidos e flutuantes de Nebulous Sequence bastavam para que desse largas a uma descrição literária da floresta (e das árvores e bichinhos que lá moram), mas o que me interessa desta vez é provar como a neutralidade de Nebulous Sequences é a sua mais positiva característica.

Quem anda atento aos discos de drone saberá que o panorama desse tipo de música evolui quase como se fosse uma luta entre o Bem e o Mal. De um lado há o drone maligno (tantas vezes inspirado pelas variantes mais arrastadas do metal) e do outro há o seu opositor benigno (que deve alguma da sua orientação à música ambient que não deseja a morte de ninguém). Deslocado de toda essa gigantesca batalha, está aquele tipo drone que não tem chifres ou uma auréola sobre a cabeça. Nebulous Sequences é de tal forma equilibrado e misterioso, na sua suspensão do reverb vindo da guitarra, que passa a ser difícil atribuir-lhe uma só natureza evidente. Se quisermos, é apenas uma companhia fantasmagórica para dias alegres ou tristes de névoa a baixo nível. Não me acanharia de colocá-lo, nessa importante categoria, ao lado de Hidden Name, de Stephan Mathieu e Janek Schaefer, ou de The Sleeping Morning, de Sawas Ysatis e Taylor Deupree.

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