Jovem Excelso Happy
Cafetra Records 2013
Lembro-me sempre melhor do início de um concerto de Putas Bêbadas do que do final. Quando os vi pela primeira vez, numa noite da Cafetra ocorrida no Barreiro, nem sequer constavam do cartaz (já agora é de lembrar que a próxima acontece já no dia 6 de Dezembro na Casa Independente, em Lisboa). Mas alguém me disse a certa altura que iam tocar e fiquei desde aí colado à expectativa de ver a banda do nome infame, que conhecia apenas de malhas como “Bater uma” (mais romântica do que parece) ou “Tirar a carta”. Perante o acontecimento, depressa percebi que nenhuma experiência caseirinha — ocorrida no YouTube ou no Bandcamp — prepara alguém para o enxerto de porrada que é um concerto de Putas Bêbadas.
Felizmente, uma boa parte desse bolo tóxico de Putas Bêbadas passa agora a estar esborrachado num LP chamado
Jovem Excelso Happy (que bem merece ser a primeira edição em vinil da Cafetra). Aqui estão então 12 canções de vadiagem entre temas tão diversos como a calvície precoce, anti-heróis com apetites de violador, a paisagem pouco turística das Olaias e personagens estrangeiras que aparecem tão depressa como desaparecem. Tudo isto num disco que mais parece uma banda-desenhada que apodreceu durante meses no canto escuro de um urinol.
Mais do que me lembrar desta ou daquela banda,
Jovem Excelso Happy faz-me pensar em como seriam os filmes junkies de Abel Ferrara se fossem transpostos para os bairros mais decadentes de Lisboa. “Long Live the Mullet”, o épico de Putas Bêbadas que encerra o disco, era perfeito para acompanhar uma cena final, em que o Christopher Walken morresse na rotunda das Olaias, com uma revista Nova Gente na mão direita e um pão com chouriço na outra.