Música

Eclético É Sim um (Bom) Adjetivo que se Aplica ao Trus’me

Basta dar um play na mix “Electric Beach” para ouvir o som das pedras rolando no uísque. Jazzinho macio, música de vários cantos do mundo e, opa, uma Gal Costa sussurrando ao ouvido. Essa é só uma das produções do inglês de Manchester David Wolstencroft, mais conhecido como Trus’me.

O cara que curte chafurdar em lojas de discos em busca de raridades ficou conhecido pelos seus sets ecléticos com house e techno – mas, ó, a real é que David não curte se limitar a gêneros. Trus’me gosta de som bom e ponto. Dá pra sacar isso nos seus discos em que dá um rolê pelos gêneros mais distintos – Working Nights, In The Red e Treat Me Rigth.

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O cara que já está no Brasil toca nesta sexta (24) no Rio e no sábado (25) em São Paulo e nós trocamos uma ideia por e-mail com ele que falou sobre jazz, vinil, sua label Prime Numbers e cenas de eletrônica espalhadas por aí. Vem juntinho:

THUMP: Pra começar, fala pra gente se você já esteve no Brasil antes? E o que você pretende ver ou fazer por aqui?
David Wolstencroft:
Essa é minha primeira viagem solo para o Rio, mas eu já visitei e toquei em São Paulo, na D-Edge antes. Minha lista está cheia de lugares pra conhecer, vamos ver quantas eu consigo ver: Cristo, Pão de Açúcar, praia de Ipanema e Leblon, Santa Teresa, Jardim Botânico e a Lagoa.


Em seu Facebook, David postou: “Tô a caminho pro Rio de Janeiro e logo depois São Paulo – não é bem uma semana normal, hein.”

Depois das suas viagens recentes, qual o lugar que tem a melhor cena de dance rolando?
Londres quase (se já não tirou) o manto de Berlim nos últimos dois anos. Em Paris está explodindo com uma enorme cena neste exato momento e nesse mesmo respiro sempre tenho que mencionar Amsterdam. Há cenas também em Sydney e Melbourne e deveria dizer que agora existem cenas surgindo no mundo todo.

E como é a cena de Manchester hoje?
Sendo honesto, eu não fico lá o tempo suficiente para falar como é a cena atualmente. É mais a minha casa, um lugar em que eu moro. Estou mais interessado em viajar e curtir novas cenas, é com isso que me preocupo.

Você poderia dizer quais são seus sons de jazz preferidos?
Junior Mance – Tin tin deo, Archie Shepp & Family of Percusian – Here comes the Family, Sun Ra – Nuclear War.

Quais são os gêneros que te interessam? Você manja música brasileira? Curte?
Eu coleciono todo tipo de boa música, e sou conhecido pelas minhas mixes “Electric Beach” que você pode ouvir aqui:

Pode crer que eu vou visitar a Galeria do Rock para encontrar toda uma lista de discos que tenho procurado. Eu realmente sou apaixonado por música brasileira e sempre estou preparado para deixar uma grana nesse tipo de disco que procuro. 

Você que é o criador-proprietário da label Prime Numbers, pode nos dizer como começou a produzir música?
Eu comecei a produzir a partir da necessidade de encontrar gravações que eu queria usar em meus sets. Eu curto mudar tempos e gêneros e meu primeiro LP (Working Nights) foi feito com essa ideia, de faixas que ligavam BPM’s e estilos de música que fizeram meu trabalho mais fácil. A Prime Numbers surgiu com a ideia de lançar a música de outras pessoas e a minha própria com esse conceito em mente.

Eu li em uma entrevista que você adora vinil. O que você ouve quando você não está ouvindo música eletrônica?
Eu escuto jazz, hip hop, muito soul, música brasileira, boogie, disco e uma tonelada de pop – a parada boa, você sabe. Claro que eu ouço música eletrônica também, mas eu gosto mais de ouvir músicos e compositores das antigas para construir ideias para minhas próprias produções.

Como você descreveria sua música para alguém que nunca a ouviu antes?
Eu sempre me pergunto isso, uma vez que produzo e toco uma grande variedade de estilos. Você pode dizer que tudo tem uma alma meio noturna na música eletrônica, com uma pegada bem orgânica e um toque humano na música. É, é suficiente.

Fale sobre seu processo criativo na hora de fazer seu último EP “Treat Me Right”.
Eu sento sozinho no estúdio e digo a mim mesmo que terá muito pouco computador envolvido no projeto. O resultado final é uma composição mais crua, com o objetivo de prender a atenção mais no groove do que no arranjo. O som deu ao LP um sotaque e isso tem se refletido nas músicas que tenho tocado durante esse ano.

Pra finalizar, me diz por que devemos confiar em você?
Você nunca deve confiar em mim, antes você deve confiar em você mesmo.

Siga Carla Castellotti no Twitter – @lacastellotti

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