Música

DIscos: Man is a Rope


Expensive Cuts
Variance New York

2013


Não vos irrita quando o Damon Albarn lança um daqueles álbuns em que a lista de convidados importa muito mais do que próprio disco? Isso faz-me lembrar um pouco aqueles putos ricos que tinham todos os Master of the Universe, mas só mesmo para exibi-los e nunca para meter os bonecos à porrada, como deve acontecer com as crianças normais. “Porrada” que por acaso tem sido um ingrediente muito ausente dos discos em que o Damon Albarn chama os seus amiguinhos para que, todos juntos como no Mini-Chuva de Estrelas, possam escrever uma ópera de hip-hop inspirado pelo pôr-do-sol no Burkina-Faso. Faz muita falta haver uma guitarra, como a que se escuta em “Bugman”, dos Blur, para rachar ao meio alguma da pasmaceira que se sente nos mais recentes investimentos artísticos de Damon Albarn (que bem pode falhar muito mais vezes que os outros por ser britânico e sexy).  

Mesmo correndo o risco de parecer totalmente fodido da cabeça, diria que Expensive Cuts, a estreia de Man is a Rope, é um disco capaz de criar a ilusão de que a sua música está repleta de convidados, quando, na verdade, tudo isto parte de um só homem-mistério chamado Evan T. Q. Kreeger. O rasto criativo, que foi sendo deixado por Evan T. Q. Kreeger, não será particularmente bombástico, mas revela pontos vários de interesse, como é o caso das várias faixas de techno-claustrofóbico gravadas para a Synewave, de Nova Iorque. Conta a história que Kreeger entendeu-se bem em estúdio com Karl O’ Connor (ele sim um produtor sonante dos últimos anos) e que foi a partir daí que Expensive Cuts ganhou forma.



Com estes dados na mesa, o mais natural era prevermos que aqui estivesse um showdown de techno a quatro mãos. Nada disso acontece, já que Expensive Cuts soa essencialmente a um disco de pós-punk carregado de convidados que nunca apareceram nas suas sessões (ou então quem sabe?). Por vezes, quase seríamos capazes de jurar que, ao longo destas cinco faixas, é possível escutar as vozes de Marilyn Manson, Dave Gahan (Depeche Mode)e Dean Bradfield (Manic Street Preachers) num contexto instrumental que aponta para o que seriam hoje os New Wet Kojak (autores de álbuns tremendos na Touch & Go). A verdade é que tudo isto resulta num disco intrigante e possuído por uma inventividade que não nos bate à porta todos os dias. Evan T. Q. Kreeger deixa de ser um mistério e passa assim à condição de metamorfo a ter em conta. Expensive Cuts chega-nos directamente de Nova Iorque, numa edição impressionante, e tem tudo para rapidamente se tornar num objecto de culto.

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