Hybrid Furrows
Sequencias
8/10
Será possível criar uma atmosfera de medo e paranóia sem tocar um pouco que seja em David Lynch e John Carpenter? Sim, talvez, mas isso é tão improvável como alguém chegar à baliza do Helton sem primeiro passar pelo Maicon e Otamendi. A forma como Lynch e Carpenter exploraram todo tipo de receios (dos naturais até aos mais irracionais) faz com que a marca de ambos esteja entranhada na imagem que a cultura deu ao medo, nos últimos 30 e tal anos. Não há coração que bata fortemente de cagaço sem recordar a má vida nocturna de Twin Peaks ou a ameaça permanente de uns quantos clássicos de Carpenter (Veio do Outro Mundo, Eles Vivem).
Assim acontece talvez porque, além de realizadores, Lynch e Carpenter são também compositores ocasionais de música para os seus filmes (e não só). Essa ambivalência dá-lhes um poder enorme sobre o que nos deixa aterrorizados numa sala de cinema ou no sofá lá de casa. A partir do momento em que a techno que temos em mãos é carregada de sons sombrios capazes de pôr à prova os nervos de um gajo, torna-se mais inevitável falar de Lynch e Carpenter do que sobre uma qualquer entidade da techno (Jeff Mills, por exemplo).
Os italianos Healing Force Project, apesar do nome foleiro, sabem utilizar a techno como a mão que leva o cérebro a passear por esse lugar perigoso em que a música deixa de ser recreativa e passa a ser ameaçadora. O 12 polegadas Hybrid Furrows, recentemente editado na Sequencias, do dominicano Jose Miguel de Frias, é dividido em “Hybrid 1” e “Hybrid 2”: dois temas generosos em sons incómodos, ritmos soterrados na mistura e drones a dar para o torto. Hybrid Furrows é kinky, pesado e soa a estar encapuçado em parte incerta às quatro e meia da manhã.
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