Sweet Mellow Cat
Flau
7/10
Conhecem aqueles avisos dos filmes que negam o envolvimento de quaisquer danos provocados em pessoas ou animais durante a produção? Sweet Mellow Cat, apesar de ser um disco, devia trazer um autocolante que nos deixasse descansados acerca da saúde do gato que passa o tempo a miar nestas 15 faixas. Se é verdade que o gato solta alguns miaus de satisfação, outras vezes parece que está em sofrimento ou sem comer há sete horas. A própria internet, na eventualidade de escutar este disco, ficaria furiosa por alguém estar a brincar com a sua mais sagrada entidade: o gato.
Mesmo assim, Liz Christine não parece ser uma rapariga maldosa e o álbum que aqui tem pode também ser tomado como um tributo a todos os felinos. O gato é a principal assombração de Sweet Mellow Cat e vai entrando e saindo na malha de sons, como quem se esgueira por uma porta. E falar de “assombração” deixa o caminho aberto para descrever a aparência dos sons convidados para o disco: muitas vezes loops gastos à maneira de um Leyland Kirby ou de um William Basinski (dois grandes senhores do envelhecimento na música). Ficamos à escuta da repetição de guitarras bluegrass e de excertos de diálogos do Casablanca, entre outras coisas de cor pálida, e despertamos do transe apenas quando o maldito gato mia, como se fosse um estalar de dedos.
Portanto, das duas, uma: ou Sweet Mellow Cat é inspirado por um qualquer conceito do gato que aparece de surpresa em cima do colo ou do teclado, ou então Liz Christine queria só mesmo levar-nos por uma espécie de delírio febril, que, independentemente de toda a confusão que recupera, acaba sempre por se fixar no bichano.