Alexandre Herchcovitch

Retrato por Daniel Klajmic

 

Conheci o Alê por um amigo em comum. Ele estava se formando na faculdade e precisava de pessoas “estranhas” para desfilar—na época eu era magrelo e tinha um topetão vermelho. O desfile foi incrível: numa escola católica, Alexandre colocou na passarela camisas de força (eu vestindo uma, por acaso), uma drag queen com roupa de freira e um terço enorme sangrando e também um menino arrastando uma boneca por um fórceps. 

O Alê é de família judaica. Mesmo não sendo ortodoxo, ele chegou a estudar num colégio de judeus e morou um tempo num kibutz, em Israel. Lembro dele me explicando que aqueles chapéus estranhos redondos que eles usam são feitos de pele e se chamam shtreimel. Sob influência judaica ainda fez a estampa da estrela de David, um hit na época. 

A mãe dele—tia Regina, como nós a chamávamos—costurava, e ele pegou carona na máquina de costura. Começou fazendo roupas para ele próprio e depois para os amigos da noite—drags, travestis, clubbers etc. Nessa época nós saíamos bastante. Muitas vezes o vi botando a mão na massa: sentava na máquina e costurava. No repertório das roupas tinha os corseletes, detalhes como chifres, piercings falsos e as estampas. De diabos variados e de caveira, o que nunca ele disse ser uma coisa pesada, dizia que era a vida, porque todo mundo tinha uma por baixo. A caveira sempre foi seu símbolo mais forte, chegando até a fazer parte de sua logomarca. Na loja, até hoje entra alguém e pergunta: tem alguma coisa com estampa de caveira?

Por outro lado o Alê é bem engraçado. Ríamos de tudo. Incluindo programas de culinária na TV, propagandas e até quando o Johnny Luxo (queridíssimo amigo) desceu do Fusca que ele tinha na época com um vestido branco. Rimos tanto que ele me sacudiu até eu cair no chão e ficar com os joelhos machucados.

É bem doce também. Ama o Culture Club e o Boy George, principalmente a música Specialize in Loneliness. Ama seus amigos e parques de diversão, principalmente monta-nhas-russas. Pela força das circunstâncias—trabalho, viagens—nos vimos menos nos últimos anos. Não deve ter mudado em nada.

Vice: Acabei de ver o seu desfile feminino e achei incrível. As críticas foram muito boas.
Alexandre Herchcovitch: 
Eu acho que eles têm um pouco de receio de falar mal do meu trabalho. Já falaram…

Sim, já falaram, mas nunca falaram tão bem. 
Não sei, acho que caiu no gosto geral, né? 

Todo mundo gostou.
Acho que todo mundo gostou no geral, mas é óbvio que tem uma coisa ou outra que alguém não gostou. Fico até na dúvida mesmo. De como pode todo mundo gostar da mesma coisa. Acertar nesse senso comum de gosto é meio difícil.

Seu processo foi diferente dessa vez? 
Não, o que difere de uma estação pra outra é só o tema, porque o processo é igual. O jeito de pensar a roupa é igual, nunca muda. O que a gente põe na roupa que é característica da marca, característica do meu trabalho, isso vai ter sempre. O que muda é o tema. O tema dessa última coleção exigia muita ornamentação, então acho que as pessoas ficaram um pouco surpresas com a quantidade de ornamento que a roupa tinha.

Videos by VICE

Desfile de formatura, 1994 (foto: Claudia Guimarães)
 

É, eu fiquei surpreso. Na hora que você entrou na passarela vi que você estava feliz.
Fiquei superfeliz porque foi um desafio fazer uma coleção assim, tão diferente da última. 

O tema vem antes ou depois?
Então, por muitos anos trabalhei sem tema, fazendo roupa, modelagem, e da modelagem saía uma, depois uma outra, e outra. E hoje não, hoje o tema vem primeiro. Acho que depois de fazer tantas coleções não dá pra não trabalhar com tema, porque ele ajuda a gente a falar a mesma coisa de outra forma, com outras palavras. Então continuo falando do que gosto, do que sei fazer, da minha marca etc., só que com outra embalagem—o tema novo. De muitos anos pra cá o tema é que norteia a coleção. O tema vem antes. 

É engraçado porque você faz dois temas, um para o feminino e outro para o masculino, mas na loja a gente vê uma unidade em tudo, e às vezes você está falando de duas coisas diferentes. 
Acho que o masculino, de uns anos pra cá, a gente vem fazendo com cores um pouco mais clássicas, e acaba sendo mais neutro. Se você vê o grosso da coleção que chega na loja, é uma coleção mais comercial, mais neutra, e às vezes vão aparecendo as peças mais elaboradas, que carregam mais o tema, que nem sempre tem no começo das vendas. São mais difíceis de produzir, acabam chegando mais pra frente. O que direciona a gente a fazer o masculino um pouco mais clássico, apesar da apresentação não ser nada clássica, é o próprio consumidor masculino. A gente fica falando que o consumidor masculino é aberto a novidades e não sei o que, mas é que o grau da novidade é muito sutil. A gente, que faz moda e trabalha com moda, tem que se policiar muito para fazer uma roupa masculina que seja no limite da novidade e que não espante muito ou… Às vezes alguns homens enxergam algumas roupas como “ah, isso não é pra mim”, “isso é gay”, “isso é muito moderno”. É complexo. 

Antes seus desfiles eram bem conceituais, talvez você não tivesse tanta preocupação com venda. Como é isso pra você? No Brasil as pessoas gostam de marca. Gostam de falar que estão usando Alexandre Herchcovitch ou sei lá…
Acho que no mundo inteiro. Na verdade o que difere um carro do outro é a marca, e com roupa é a mesma coisa. Não digo só o nome da marca, mas as ideias que a marca traz com a roupa, com o produto em si. E chega um ponto que não tem como você não pensar em vender, porque se você não vender você não consegue continuar. Então não vejo problema nenhum em fazer roupa para vender. É muito mais difícil você acertar numa roupa para vender mais do que numa roupa para vender uma só. É mais difícil fazer uma calça que, sei lá, mil pessoas vão gostar e comprar do que fazer um único vestido, que uma ou duas pessoas vão gostar. É mais difícil fazer roupa comercial. Nem sei se sou expert em fazer roupa comercial, porque se eu fosse eu já estaria vendendo muito mais do que vendo hoje. Mas acho que, hoje, minha marca consegue fazer muito mais roupas comerciais do que há dez anos. A gente está aprendendo. Escolhi esse caminho mais longo, mais difícil, porém mais livre, onde eu pudesse mostrar exatamente aquilo que eu penso sem nenhuma preocupação. Mas esse caminho de fazer roupa comercial eu deixei pra depois da marca já ter um certo status, já ser uma referência e algo importante para a moda brasileira. Depois que conquistei esse espaço, achei que era hora de fazer roupa mais para vender. 

No Brasil isso é meio novo, tem muito desfile ultraconceitual, e depois você vai na loja e não vê, necessariamente, o que viu no desfile. Lá fora mais ainda. 
Acho que essa distância entre o desfile e o que tem na loja tem que ser cada vez mais sutil. Em todas as marcas—na minha também. Na verdade, por outro lado, acho que não tem uma regra para o que apresentar e como fazer um desfile. Um desfile é um espaço onde você vai apresentar e dizer alguma coisa. É igual você ir fazer um discurso e na hora falar o que quiser. Então é a mesma coisa com um desfile. Até uns dois anos atrás, tudo o que eu punha na passarela de alguma maneira era produzido para vender na loja. Hoje eu já não penso assim. Se tem uma roupa que é realmente muito difícil de produzir e que ninguém vai consumir, não vou produzir para a loja. 

Mas você não vende aquela roupa?
A gente pode vender aquela peça única, entendeu? Antigamente eu era supercontra isso, de ter roupa para o desfile. Hoje não sou mais. Inclusive me perguntaram numa entrevista, “Tudo da Rosa Chá vai para loja?”. Falei, “Lógico que não. Pra que vou produzir um bando de macacão justo? Não acho que vá vender muito. Então talvez não seja produzido”. Não tem problema você ter uma ideia que não é comercial, mas mesmo assim você pôr no desfile. 

Nas marcas que você já desenhou ou dese-nha você sempre teve a mesma liberdade?
Sempre tive a mesma liberdade. Nunca ne-nhum dono de marca chegou pra mim e falou, “Posso ver a edição do desfile? Posso ver como está?”. Na verdade isso aconteceu quando eu trabalhava na Zoomp lá atrás, mas, por exemplo, os donos da Rosa Chá não foram ver a edição. Ficou do jeito que eu queria. Acho que não tem nenhuma razão pras pessoas me contratarem e depois quererem modificar aquilo que estou acreditando, não confiarem em mim. Então nunca tive nenhum problema com as outras marcas. 

 
Desfile de formatura, 1994 (foto: Claudia Guimarães)
 


Quem você permite que interfira no seu trabalho?
Todo mundo que eu confio. É muito raro eu impor alguma coisa. Muito raro mesmo. Isso acontece porque ao longo do processo todo mundo conversa muito, então, quando chega no final, não existem muitas dúvidas. É uma coisa ou outra que a gente finaliza quando monta o primeiro look. Por exemplo, o Maurício [Ianes] queria muito umas camisetas e uns vestidos rasgados por baixo das roupas. Isso a gente não tinha testado, a gente testou na primeira prova. Daí foi. Inclusive, agora eu vou pegar todas essas peças rasgadas e fazer um acabamento no final de cada rasgado—para ele não rasgar demais—para o desfile de Nova York. 

Essas peças vão estar na loja?
Eu quero, porque elas ficaram lindas. Então acho que todo mundo pode interferir, porque se eu contrato ou trabalho com alguém é porque eu confio na pessoa. Por exemplo, falei para o Antônio [Gomes] que faz acessórios, “Vamos fazer isso?”, ele disse, “Ah, não vai ficar bom”, então eu disse, “Tem certeza? Se você acha que não vai ficar bom, então não vamos fazer”. É mais ou menos assim que eu trabalho. 

Outro dia eu estava na sua loja e um cara entrou lá falando, “Quero coisa de caveira”. Mas não tinha. A única coisa de caveira que tinha era bem sutil. Você ainda faz?
A gente faz, mas bem de leve, porque a gente explorou muito a caveira. Ela ficou conhecida como o símbolo, a marca e tudo, e num momento a gente resolveu que a caveira não podia acompanhar a sofisticação, a evolução da marca. Então a gente deixou a caveira pra usar só na linha jeansware. E no prêt-à-porter, se a gente usa a caveira, a gente usa dessa maneira—por exemplo, a gente usou como maquiagem no desfile, mas no prêt-à-porter não tem um item com caveira. Às vezes a gente faz uma caveira de tacha, de cristal, porque aí a camiseta vai custar R$ 600, R$ 700 e tudo bem. Mas a gente não faz bobagem. E às vezes num produto licenciado as pessoas pedem caveiras. 

E você usou agora a caveira na maquiagem do seu desfile masculino. Os meninos que desfilaram eram carecas mesmo?
Todos. Raspados. 

Porque alguns eu achava que não, que era uma toca de látex. Todos eram carecas, então. E aquilo era o que, uma máscara?
Era assim, eles raspavam o cabelo…

Ah, não é que eles tinham cabelo raspado. Eles raspavam na hora. Toparam raspar só pro desfile?
Isso.

Que incrível. 
Alguns meninos tinham cabelo comprido. Mas eles chegavam e raspavam o cabelo. Depois seus rostos eram maquiados de branco. A gente fez um adesivo de arcada dentária que eram colados, pintados com aerógrafo preto e retirados—ficavam os dentes. Depois os frisos eram retocados, e os olhos pintados, era feito um fumê na têmpora e no final da boca. Eles conseguiram acabar uma hora antes de acabar o desfile. Foi superlinha de produção, bem legal. 

Todos eram modelos?
De agência. Não tinham modelos assim… Porque as pessoas podem perder trabalho. Tinham vários meninos que já eram carecas, uns de cabelo bem curtinho. 

Lembro que quando eu trabalhava na sua loja, de vendedor, as roupas do desfiles iam todas pra lá, para serem vendidas. 
Era muito engraçado, porque a gente fazia o desfile e o que tinha para vender eram as peças do desfile. Não é que a gente repetia, a gente só repetia a camiseta mesmo. Tinha uma arara de camiseta e o resto era roupa do desfile. Acho que aprendi muito quando entrei na Zoomp em 1998, um pouquinho antes naquela época, quando a gente fazia coleção de fato. Fazíamos um vestido, esse vestido era produzido n vezes. Antes disso era assim, você fazia as roupas para o desfile, punha aquilo que foi desfilado e acabou. Era mais simples. Por mais simples quero dizer que talvez fosse mais legal.

Desfile SPFW, inverno 2010
 

E teve algum momento no qual você pensou “agora rolou!”?
Nunca parei de trabalhar. Desde que comecei a vender camisetas, ainda na escola, nunca parei de trabalhar. As pessoas nunca pararam de me requisitar para n coisas, então, nunca tive um momento de sossego, como por exemplo “ah, agora a mídia não está me requisitando muito”. Nunca tive isso em 20 anos. Desde que eu saí pela primeira vez em revista e jornal aquilo foi despertando o desejo das pessoas naquilo que eu fazia, e de muitos anos pra cá as pessoas querem saber minha opinião não só sobre moda, mas sobre qualquer coisa. Então acho que pelo fato de eu ter sido corajoso, ter enfrentado tudo, não ter tido problema em fazer roupa que não vende, e ter mostrado aquilo que penso, fez com que as pessoas prestassem atenção em qualquer coisa que eu fizesse. E isso até hoje, né? As pessoas não perderam o interesse pelo meu trabalho. 

Você acha que o seu público é o mesmo de anos atrás?
Não, eu tenho pessoas que são meus clientes há 15 anos. E tenho clientes que antes compravam mais, mas que agora só compram de vez em quando, clientes novos… 

Até porque a marca se sofisticou.
É, quando eu comecei a minha camiseta de caveira custava R$ 25. Hoje em dia é cento e pouco. Hoje ela ficou mais cara. Mas eu acho que a pessoa que pagava R$ 25 numa camiseta antigamente tem grana pra comprar uma de cento e pouco. Até porque hoje você encontra pouquíssimas camisetas por menos de R$ 90, R$ 70. Então o público variou muito. Eu acho que hoje a concorrência é muito grande. Antes você concorria com duas ou três marcas. Hoje você concorre com todo mundo. Concorre com C&A. Hoje o seu concorrente não é só o estilista que está no mesmo nível de preço de você, mas todo mundo. É loja popular, todo mundo. 

E esses seus produtos licenciados? Você tem coisa pra cacete. 
Todas as ideias saem daqui. 

Mas normalmente é o quê? Você interfere como? O material que vai ser usado…
Com exceção de um ou outro licenciamento que o material já é… Por exemplo, a Melissa. A Melissa não pode ser de outro material. Ou o Band-Aid. No Band-Aid a gente perguntou se poderia criar alguns formatos diferentes. Mas a ideia deles, que eles tinham aprovado com a empresa, era pegar o Band-Aid clássico e pôr estampa. O isqueiro da Bic foi a mesma coisa. 

Voltando à história do desejo da marca, 90% das pessoas que eu conheço têm alguma coisa da Zêlo sua. 
Na Zêlo a gente teve pouquíssima interferência porque como você vai inventar um novo edredon? O que ele vai ter, vai ser maior, mais quadrado, redondo? É mais sobre o material, a estampa e também a costura que prende a manta acrílica—o recheio dele. A gente fez um desenho mais orgânico—vou usar essa palavra, mas eu não gosto. Fomos até onde a gente podia interferir. 

O seu desfile masculino foi inspirado em O Sétimo Selo, do Bergman. Você já disse que assistiu Avatar e amou. Do que você gosta hoje em dia?
Não mudei muito, na verdade. Continuo fazendo as mesmas coisas, minha vida social é zero, não faço quase nada. Até já fui criticado por pessoas próximas por perder muitas oportunidades por não fazer lobby, não frequentar nenhum lugar, mas eu realmente não consigo. Não gosto. Faço pouquíssimas coisas: venho trabalhar, daí eu fico em casa com os meus cachorros, cozinho, vou ao cinema, viajo bastante. E é só isso. 

Você não é de sair para dançar?
Já fui. Não sou mais. De cinco anos pra cá comecei a tocar, mas isso foi por acaso. Aí uma certa hora parei completamente. Agora só toco por prazer. Devo tocar, sei lá, umas quatro vezes por ano. Porque só toco o mesmo tipo de música. Não vou mudar, não vou me atualizar, não vou tocar Lady Gaga. 

 

Mas você gosta? Gosta de coisas novas?
Tem várias coisas que eu gosto, mas assim, não sou pesquisador de música. Meu iPod tem 340 músicas. Não ouço música, não sou musical. Não trabalho com música. Me atrapalha. Não chego em casa e ligo o som. Ligo a TV ou não ligo nada. Eu entro no carro e ouço CBN o tempo inteiro. Não sou musical. Não vejo problema em não ser musical. Música é superimportante, realmente. Todo mundo fala de música. Parece que é uma coisa natural. Todo lugar toca alguma coisa. Inclusive, fui num restaurante um dia desses e pensei: “Gente, tá faltando música aqui”. Um som ali pra completar. Parece que falta, é importante. Mas não vejo problema em não ser atualizado com o que acontece com música. Gosto de música, mas daquelas que eu elegi. Pra mim elas são suficientes. O que eu tenho feito é cadastrar todas as músicas que ouvi e dancei na minha adolescência para ir atrás e completar tudo isso. Tenho quase todas as músicas que eu queria. A última vez que eu fui na Galeria do Rock, num lugar que só vende house music, eu ficava cantando para o vendedor pra ele achar. É muito engraçado, porque eu não posso me sentir desatualizado porque não é obrigação de ninguém se atualizar de nenhum assunto. Eu sou atualizado em tecido, costura, moda e sei lá mais o quê. Em música eu não sou. Não sei da última banda, então, por exemplo, fui tocar outro dia no bar Secreto, na festa Fui!, antes de mim estavam tocando umas músicas e eu pensei: “Meu Deus, não tenho nada disso. Pronto, vou tocar qualquer coisa e fodeu, a pista vai esvaziar. Fiquei pensando com que música eu ia começar. Esperei o DJ colocar a próxima para ver se era mais parecida com o que eu ia tocar. Era pior! Era tipo um rockinho meio eletro de agora. Falei: “Foda-se”. Escolhi uma música, pus a primeira e o povo começou a dançar. Toquei uma hora, foi ótimo. Acho que a música tem uma linguagem que é meio universal. Se a música é boa, a sonoridade é boa, a batida é boa, não importa, porque o povo dança, reconhecendo ou não. Então eu acho que sou mais pra esse lado. 

Tinha uma música que lembro que a gente amava que chamava “Deep Frog”. Você tem?
Tenho!

Jura? Nunca consegui achar. 
Eu tenho. Posso te dar. Até toquei inclusive. Toco sempre depois de “French Kiss”. Por exemplo, essas duas músicas as pessoas adoram. E são músicas de 20 anos atrás. Quando a pista está cagada é só tocar uma Madonna que dá tudo certo. 

Existe uma coisa em torno de você que é a de menino mal-humorado, de menino meio sério, que está sempre meio quieto. Que pra mim é o contrário de você. 
Mas as pessoas não me conhecem. 

Exatamente. É engraçado…
Pois é, eu não mudei nada, na verdade. Por bem ou por mal, sou uma figura pública. Não estou dizendo que sou igual a um ator ou atriz. Não tenho nenhum paparazzo atrás de mim e tal, mas eu quero me expor até o limite que acho que tenho que me expor. Até pouco tempo eu não gostava nem de tirar foto rindo. Agora estou adorando. Não acho que as pessoas têm que saber das coisas. Quero que elas gostem da minha moda, da minha roupa, do meu trabalho. Eu ando muito mais exposto do que era. Saiu num jornal que eu casei, entendeu? Mais exposto do que isso? Mas, realmente, as pessoas não sabem como é a minha casa porque eu não tenho esse interesse. Acho que é um pouco demais. Não vou chegar pra uma pessoa que eu nunca vi na vida e fazer um monte de brincadeiras. Não vou! Aconteceu no Twitter. Tive durante 15 dias e adorei. Estava me expondo. Falava tudo o que eu comia no dia. O povo morria de rir, não acreditava. Mas várias pessoas pensaram assim: “Ah, que chato, não vou mais seguir porque estava esperando que ele fosse falar de moda”. Daí começou um monte de gente a brigar com essas pessoas, falando pra me deixar falar o que eu quisesse. E de uma certa maneira eu estava gostando. Só que aí falei: “Sabe de uma coisa, vou parar”. Porque as poucas pessoas que estão enchendo o saco, deixa elas seguirem outros. Era para eu ter até agora, porque eu estava me divertindo muito. Por que eu não posso falar sobre comida e tal? Tenho que falar de moda o tempo inteiro?

É engraçado isso, porque tem twitteiro que fala até de como aparou a unha.
Mas era o que eu estava fazendo. Por exemplo, quando eu estava no trânsito eu tirava foto do trânsito e avisava pras pessoas onde estava trânsito. Aí agora fiquei pensando se devo voltar. Na verdade sou tímido também. Quando chego num lugar, escolho meu canto e fico até acabar. 

Tem gente que fala que isso é marketing seu.
Podem até falar. Tem gente que fala até que meu sobrenome foi criado por uma agência de publicidade. Na verdade eu tenho um cuidado extremo com a imagem, convivi com algumas pessoas que não me deixaram expor de maneira nenhuma—ex-namorados e tal. 

Qual a sua relação com os estilistas jovens? Tem algum estilista jovem que você goste? Que esteja começando?
Trabalho direto com os alunos do Senac. Acompanho o ano que eles se formam e consigo ver coisas legais lá. Mas não achei nada muito novo. Há uns dois anos me impressionei com um trabalho de formatura de uma aluna que fez um trabalho em feltro pré-moldado. Então tem gente que pensa, mas é muito raro. Acho que quanto mais gente se formando numa área, mais gente que não tem paixão vai exercer a profissão. 
Thank for your puchase!
You have successfully purchased.