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As vicissitudes de um swinger francês

Sempre quis fazer parte de uma orgia, mas quando finalmente me tornei um swinger percebi que as coisas podem ser bem mais complexas do que estava à espera.

Por Anonimo
11 Março 2015, 10:43am

Foto via Flickr Topher i

Toda a minha a vida fantasiei com orgias e ambientes lascivos. Concretizei esta fantasia uns anos mais tarde, depois de conhecer uma rapariga que não acreditava na monogamia. Assim, sem como nem porquê, aquela rapariga –agora mãe do meu filho – acreditava que o a coibição do desejo sexual poderia, mais tarde, causar o aparecimento de tumores. Coincidência ou não, até hoje, nunca tive cancro.

Tal como disse, o libertino que há em mim manifestou-se bem cedo – provavelmente na altura que me aventurei pelos cartoons super-sexuais e depravados de Robert Crumb e Gilbert Shelton, - numa idade bastante precoce para ver aquele tipo de coisas, diga-se. Mesmo assim, tive a minha primeira aventura (a sério) bastante mais tarde – com 30 anos.

Foi durante uma orgia organizada por um amigo meu, na minha própria casa – naquela altura já eu tinha estado numa relação que durou 7 anos. Esse mesmo amigo introduziu-me a um grupo de outros auto proclamados "libertinos", pessoas que tenho encontrado, ocasionalmente, em festas nos últimos anos.

Este estilo de vida permitiu-me descobrir muitas coisas sobre mim e sobre os outros, mas também me conduziu a vários momentos de constrangimento, vergonha e dor. Tenho vindo a meditar sobre as consequências negativas das nossas escolhas (minhas e da minha companheira), e tu também deverias fazer o mesmo caso estejas a pensar embarcar nesta grande aventura de desejo animalesco e narcisista. Eis o que aprendi até agora:

OS IDIOTAS

O primeiro – e mais óbvio – inconveniente de ser um swinger é a grande probabilidade de conhecer idiotas. Muitos dos Don Juans que conheço são imbecis desmiolados. Seja qual for a classe social de onde vêm, os libertinos – particularmente os swingers – são, em diferentes graus, pessoas aborrecidas sem qualquer tipo de aptidão para manter uma conversa. Por isso, se pensas que vais entrar num círculo de intelectuais e grandes pensadores, estás equivocado.

Então, decidi aparecer à porta, na manhã do dia seguinte, com um saco de croissants à espera de a encontrar nua na cama com ele. Pensei que ficassem contentes por levar o pequeno almoço e que eventualmente ficássemos nus – quem sabe se não teríamos até um ménage à trois. Afinal de contas, somos franceses, libertinos.

DIVERSÃO CONTROLADA

Antes de perceber que as orgias não são a minha cena – a não ser que ocorram de forma natural, num impulso, no final de uma festa – tive que lidar com a porcaria dos planos sinistros que aparecem no caminho. Imagina a pior noite da tua vida com os teus amigos, acrescenta uma dose de sexo – ok, podes ter uma vaga ideia de como foi a minha noite.

Um colega meu convenceu-me a ir a casa do seu amigo que vendia Ecstasy. Eram 4h da manhã quando lá chegamos e demos de cara com um grupo de pessoas semi-nuas e completamente pedradas. Era uma atmosfera um tanto ou quanto sórdida. Estavam sentados em círculo, nus e chapados, lamuriando sobre as suas aborrecidas e horríveis vidas. Pelos vistos, encontravam-se uma vez por semana para tomar cenas ilícitas e enrolarem-se uns com os outros, só que faziam aquilo há tanto tempo que já nem sequer desfrutavam. Todos os que conheci naquela espécie de festa queixaram-se do quão aborrecido era ter que se encontrarem todas as semanas ali – "mas ainda o fazemos", diziam-me todos.

Depois deste episódio, decidi experimentar a libertinagem fora dos circuitos habituais. É bem mais complicado – não pensem que é fácil convencer mulheres a ter sexo com um gajo casado, por exemplo – mas, ultimamente, tem valido a pena.

OS PURITANOS

Porque sou um gajo honesto, recuso-me a enrolar-me com uma rapariga sem contar abertamente que estou numa relação. Aprendi essa lição no dia em que me vi metido (nu) numa banheira com uma rapariga (também nua) com quem tinha curtido numa outra festa na semana anterior. Foi durante uma festa em minha casa e eu simplesmente propus aos meus convidados que desfrutassem juntos de "um momento nu" no Jacuzzi lá de casa.

Decidi dar o exemplo e ela seguiu-me. Ela era tímida e encantadora – o tipo de rapariga com quem queremos estar nus. Ela perguntou-me se eu vivia ali no apartamento, ao que eu respondi, "Sim, com a minha namorada". Fez-se um silêncio constrangedor. Pensei que ela soubesse à priori que eu tinha alguém, mas não: começou a chorar, saiu à pressa do Jacuzzi, vestiu-se, e foi embora. Senti-me um idiota, mas dali a um bocado já não pensava mais no assunto – nessa noite fiz sexo com a minha namorada.

QUANDO NOS APAIXONÁMOS

Isto é a pior coisa que te pode acontecer – se, como eu, és um tipo às direitas e te preocupas com os sentimentos da pessoa com quem estás. Apaixonar-me por uma miúda que não era a minha namorada destruiu-me por dentro. Mas finalmente confessei tudo à minha namorada, numa noite em que passei bastante tempo no terraço, a pensar se deveria ou não saltar.

Estava a ser super dramático; no máximo, teria partido uma perna – porque estava, na verdade, no terraço de um primeiro andar de uma casa nos subúrbios de Paris -, mas mesmo assim, eu estava um caos. Depois de me escutar, a minha namorada riu-se de mim e disse que eu era um querido, enquanto eu choramingava aos seus pés.

QUANDO A TUA NAMORADA PERCEBE QUE TE APAIXONASTE POR OUTRA PESSOA

Depois desse episódio dramático, algo inesperado surgiu: estava eu a rodar um filme na altura quando comecei a sair com uma das actrizes. Era uma cena simples, sem complicações, divertida, o tipo de cenas que acontecem quando trabalhas com pessoal no ambiente criativo e boémio que é rodar um filme de terror de baixo orçamento.

Numa festa de fim de ano super aborrecida, esperava ansiosamente que essa rapariga aparecesse e agitasse um bocado o ambiente. Mas ela não apareceu, e, um bocado desapontado, enviei-lhe uma mensagem com um simples "Beijo". O problema foi que naquela noite a minha namorada decidiu começar a ler as minhas mensagens – pela primeira vez na nossa relação – e ficou bastante chateada. Empurrou-me para fora da cama e disse que era melhor não nos vermos durante uma semana. Respeitei o seu desejo mas penso que foi um erro – eu já tinha estado apaixonado por outra rapariga (daquela vez que confessei à minha namorada o que sentia) mas desta vez era diferente.

Não disse nada durante todo aquele tempo, mas não foi fácil para mim e prometi a mim mesmo nunca mais deixar que este tipo de dúvidas minasse a minha relação outra vez.

QUANDO A TUA NAMORADA SE ENROLA COM OUTRoS GAJOS NUMA FESTA DE DISFARCES

Numa noite, a minha namorada foi para casa com um gajo a meio de uma festa. Não tive problemas com isso, mas disse para mim mesmo que no dia a seguir iria encontrar-me com ela para definirmos a nossa vida como casal. Ela disse-me que ia levá-lo para casa da irmã que estava fora da cidade naquela semana. Então, eu decidi aparecer à porta, na manhã do dia seguinte, com um saco de croissants à espera de a encontrar nua na cama com ele. Pensei que ficassem contentes por ter levado o pequeno almoço e que eventualmente ficássemos nus – quem sabe se não teríamos um ménage à trois. Quer dizer, afinal de contas somos franceses, libertinos. Mas não foi nada como eu tinha imaginado. De todo.

A coisa correu mais ou menos assim: acordei-os e eles estavam nus – nessa parte eu acertei – mas a minha namorada começou aos berros comigo. Tive que sair pela porta das traseiras, vestido de Jesus Cristo, enquanto um gajo qualquer fazia sexo com a minha namorada na cama da sua irmã. "Ícones Religiosos" era o tema da festa da noite anterior e eu não tinha dinheiro suficiente para um taxi. Tive que ir a pé para casa, vestido de Jesus Cristo.

Pelo menos, fiquei com os croissants.