Música

Além do Embromation em Sete Sons Brasileiros com Stela Campos

Foto: Divulgação

A paulistana Stela Campos transformou um apanhado de canções escritas em inglês ao longo dos últimos anos no álbum psicodélico-folk-roqueiro Dumbo.

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“Cantar em inglês não é um simples capricho do artista. É algo instintivo e diretamente ligado à expansão da cultura anglo-saxônica no último século. Ou seja, é o reflexo de uma hegemonia. Isso não acontece só no Brasil: em todas as partes do mundo há gente cantando em inglês”, explica ela.

Por isso mesmo, convidamos a cantora compositora para revelar algumas de suas canções de conterrâneos compostas na língua imperial. Sua seleção vai do psicodélico à bossa nova, refletindo algumas sonoridades que acompanham a sua carreira, de Jorge Ben em seu clássico Tábua de Esmeralda até a bossa elétrica do Fellini (que inclusive, tocou com Stela nos anos 90 no projeto cult Funziona Senza Vapore).

Stela está na ativa desde os anos 90, tendo participado ativamente do movimento manguebeat em Recife, onde colaborou com artistas como Chico Science& Nação Zumbi, Otto, Devotos e Fred 04, além de ter sido líder da banda indie Lara Hanuska.

O álbum Dumbo já é o quinto de sua carreira solo e o primeiro vídeo clipe, “Work”, foi lançado nesta segunda-feira (16). No mesmo clima de “catadão” e memória do disco, Stela juntou-se com a cineasta Maria Clara Escobar e reuniu imagens tiradas do seu acervo pessoal de algumas de suas viagens e filmagens familiares. Veja o vídeo abaixo e para escutar Dumbo, clique aqui.

Caetano Veloso – You Don’t Know Me
“Cantar e compor em inglês com correção é importante, mas fazer letras capazes de rivalizar com Bob Dylan e similares é coisa de gênio. Caetano compôs várias canções assim nos primeiros discos, especialmente na fase do exílio. ‘You Don’t Know Me’ é apenas um dentre muitos clássicos (‘The Empty Boat’, ‘London London’, ‘Maria Bethânia’, etc).”

Os Mutantes – I Feel a Little Space-Out
“Gravado em 1970, mas só lançado em 2000, o disco Tecnicolor tem várias regravações dos Mutantes em inglês. São versões ótimas, traduções bem redondinhas. A de ‘Ando Meio Desligado’ até parece ter sido escrita originalmente no inglês. Dá para sentir o quanto era natural para eles, que certamente ouviam o idioma dia e noite na vitrola.”

Tim Maia – You Don’t Know What I Know
“Tim Maia morou uns anos nos EUA, onde absorveu o soul em primeira mão. Esta faixa de Racional Vol. 1 mostra o quanto ele se sentia a vontade no idioma. Parece um autêntico soulman gringo.”

Jorge Ben – Brother
“Cantar em inglês não é um simples capricho do artista. É algo instintivo e diretamente ligado à expansão da cultura anglo-saxônica no último século. Ou seja, é o reflexo de uma hegemonia. Isso não acontece só no Brasil: em todas as partes do mundo há gente cantando em inglês. Até um artista de alma tão brasileira como Jorge Ben se rendeu ao idioma (neste clássico de Tábua de Esmeralda).”

Gilberto Gil – Crazy Pop Rock
“Durante o exílio londrino, Gil gravou um álbum todo em inglês – o homônimo de 1971. Não é melancólico como as coisas do Caetano da mesma época. Aparentemente, Gil estava se divertindo explorando a cultura local. O disco é todo clássico: inclui ‘Can’t Find My Way Home’ e ‘Volkswagen Blue.’”

Fellini – Chico Buarque Song
“Nesta faixa de Amor Louco, Cadão Volpato usa sua bossa-eletrônica para descrever com desenvoltura em inglês o sentimento saudosista e apaixonado que permeia todas as faixas do disco. Uma de minhas músicas preferidas da banda paulistana dos anos 80.”

Jupiter Apple – A Lad & Maid in the Bloom
“O Júpiter Maçã tem esse projeto para extravasar suas inspirações gringas. O disco Plastic Soda já é um clássico da psicodelia nacional.”

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