Dreampty
Eat Concrete
8/10
Sem dele fazermos um coitadinho, diríamos que Roel Funcken já merecia ser mais que um segredo bem guardado daquele dub multiplamente mutante a que passou ser mais fácil chamar de dubstep. Além disso, qualquer explicação para a distância que separa Roel Funcken da turma mais popular do dubstep teria de mencionar como o produtor holandês está quase sempre ao lado do que acontece. Quando o género estava mais padronizado, Roel levou-o por caminhos complexos e cheios de atalhos; durante uma fase mais enérgica dessa escola, o produtor dedicava o seu tempo a gravar volumes vários da série Dubstoned (tão mocada como o nome indica), com o irmão Don, nos Funckarma. Roel Funcken é portanto um desalinhado e é por isso também que algumas labels mais transgressoras o estimam tanto.
Entre as últimas está uma Eat Concrete que faz sempre uma festa com cada novo lançamento de Roel Funcken. Desta vez a luxúria chegou ao ponto do seu novo EP Dreampty ter direito a uma edição em vinil branco, com um poster gigante de Timothée Mathelin dedicado às alforrecas (símbolo recorrente da electrónica actual). Mas tudo isto era fogo-de-vista se a música de Dreampty não correspondesse ao seu valor como objecto. Felizmente, o Roel Funcken destas quatro malhas (cinco, na versão digital) é o mais maduro e convincente que encontrámos até agora.
Dreampty demora o seu tempo a encaixar as peças na cabeça, mas, depois disso acontecer, passa pelos ouvidos como um temporal rítmico, que varre o cérebro ao mesmo tempo que o preenche com imagens de ficção-científica subaquática e grandiosa. Roel Funcken já não anda nisto para brincar e aqui está o EP certo para que o seu nome passe a figurar entre os grandes.