Mucha Polícia, Poca Diversión

Por Joshua Haddow e Hary Langston

Dia 11 de novembro os manifestantes organizados da Campanha Nacional Contra Taxas e Cortes marcharam do campus da Universidade de Londres no centro da cidade até Moorgate, o distrito financeiro. Os protestos de estudantes do ano passado atingiram um alto nível de treta, e como novembro é o mês do Guy Fawkes, fogos e várias revoluções históricas, descemos até West End loucos para ver um pouco de desordem pública à moda antiga. Infelizmente, parece que a polícia teve a mesma ideia e acabaram superando o número de manifestante em mais ou menos 2 para 1. Não era um começo lá muito promissor, mas continuamos otimistas.

Videos by VICE

Lá pelo meio dia, uma galera considerável ocupava a Malet Street distribuindo panfletos e vendendo literatura marxista, apitos e outras parafernálias de protesto. O clima geral parecia favorável e um gnomo foi obrigado a fazer uma dancinha irlandesa. Todo mundo com quem falei estava “Excitado!”, ou “Ansioso para acontecer alguma coisa!”, ou “precisando muito ir ao banheiro”. Depois de uma rápida olhada nos cartazes em volta, rumamos para o sul, através das luzes do Theatreland!

Um pouco antes da marcha, a polícia metropolitana de Londres emitiu declarações sobre balas de borracha e “medidas extremas” que estavam preparadas para usar caso as coisas saíssem do controle. Em vez de chutar que isso ia levar o país de volta para as revoltas de agosto, muitos meios de comunicação pareciam ter escrito suas manchetes com antecedência—assumiu-se que a polícia usaria esse protesto para mandar os proletários de volta para seus lugares desempregados, endividados e sem futuro. O que não antecipamos—e realmente deveríamos ter—é que a arma mais potente do arsenal da polícia seria o tédio. Tédio capaz de sufocar a raiva e desacelerar o coração, tédio quase psicodélico. Sabiamente, os policiais usaram todas suas táticas de chatice, e, de maneira geral, o resto do dia foi tipo uma viagem escolar muito bem supervisionada.

Nada aconteceu por cerca de uma hora. Continuamos seguindo sob a vontade e o controle da esmagadora presença policial. Vários caras jogaram futebol e vimos o Jody McIntyre. Os estudantes cantaram, um cara cabreiro com uma lata de Stella na mão foi meio que preso e um cavalo da polícia com desarranjo intestinal despejou um monte de bosta pelas ruas imaculadas do centro de Londres. E foi isso.

Agora você deve estar entendendo como o negócio foi chato em comparação as manifestações do ano passado. Lutamos para continuar motivados enquanto a multidão ficava mais excitada que o necessário com alguns operários locais gritando em apoio ao protesto. Começamos a pensar que era melhor enfiar a viola no saco e ir pra casa exorcizar nosso ódio jogando Call of Duty, aí apareceram uns caras de bandana. A chegada dos bandanas incomodou visivelmente a polícia, que formou um cordão. Em algum lugar atrás de nós uma boom-box tocava dubstep. As coisas começaram a parecer mais revolucionárias e empolgantes quando algumas garrafas plásticas vazias aterrissaram bem perto de um policial.

Uns cinco minutos depois a roda abriu quando algum anarquista rompeu o cordão policial e saiu correndo e gritando. Vários coxinhas foram atrás dele e isso só serviu para fazer eles parecerem preocupados e vulneráveis. Uma bombinha estourou perto de um cavalo, assustando a mim e outros membros da imprensa (mas não o cavalo, que estava mais ocupado cagando) e a gente começou a achar que “é isso” e “vai acontecer de novo”… mas só por alguns minutos. O grande número de policiais significava que essa simplesmente não era a hora nem o lugar para insurreição social, e rapidamente começamos a andar de novo numa marcha totalmente organizada e contida. Começamos a encarar as autoridades, imaginando que isso seria nossa vida pelas próximas horas.

E foi mesmo. Lá pelas 4 da tarde chegamos no destino designado. Os poucos caras negros que não tinham sido presos ainda andavam pela multidão perguntando onde seus amigos estavam e pereciam resignados com o fato de que o dia tinha passado pacificamente. A multidão se entretinha ouvindo drum and bass e zoando com um policial à paisana. Como revelar um coxinha à paisana.

Passo 1. – Identifique.

Passo 2. – Grite e comece um pequeno tumulto.

Passo 3. – Grite mais, xingue e jogue coisas.

Enquanto tudo isso acontecia conversamos com um anarquista que contou sobre as táticas que a polícia usou naquele dia. “Eles estavam nos pegando lá atrás, um de cada vez”, disse. “Conseguimos ‘soltar’ alguns, mas eles pegaram pelo menos uns 60 caras do nosso grupo. Eles tomaram minha máscara assim que cheguei, mas o que eu ia fazer, né? É um saco porque nós tínhamos muito mais gente no começo.”

O resto do dia foi uma combinação de sede, vontade de ir ao banheiro e um grupo cada vez menor de moleques dançando ragga dos anos 90, drum and bass e clássicos do garage rock. Foi da hora, talvez isso começe a acontecer sempre no distrito financeiro, pena que não ajuda muito a impedir o aumento das mensalidades. Por volta das 05h30min mandaram todo mundo embora, e sabe o que aconteceu? Todo mundo foi, até a gente. Saímos nos sentindo cansados e civilizados à força.

A polícia ganhou essa. Eles não só acabaram com qualquer possibilidade da juventude botar fogo em Londres, mas também sufocaram completamente o protesto e a marcha com sua eficiência autoritária. Ah, e o Rage Against the Machine nem apareceu. Bom trabalho, democracia.

TEXTO: JOSHUA HADDOW FOTOS E VÍDEO: HENRY LANGSTON

Thank for your puchase!
You have successfully purchased.